Volume de emissões de debêntures de energia cresce no 1º semestre e já é quase o total de 2020

Volume de emissões de debêntures de energia cresce no 1º semestre e já é quase o total de 2020

23 de julho de 2021

Ludmylla Rocha, da Agência iNFRA

As emissões de debêntures incentivadas de infraestrutura no setor de energia somaram R$ 10,9 bilhões de janeiro a junho deste ano. O volume representa 89% do total em todo o ano de 2020, que foi de R$ 12,3 bilhões, sinalizando uma retomada dos investimentos no setor nos primeiros seis meses do ano.

Apesar do avanço, o valor está longe do recorde alcançado em 2019: R$ 27,3 bilhões. Os dados são do Boletim de Debêntures Incentivadas divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia divulgado na última quarta-feira (21). 

As emissões no segmento de energia representam mais da metade (54,7%) do total de debêntures incentivadas da área de infraestrutura no primeiro semestre, cujo valor chegou a R$ 19,9 bilhões e já superou o volume de 2020 (R$ 18,6 bilhões).

Projeção para o segundo semestre
Segundo a Secretaria de Política Econômica, o resultado deve se repetir na segunda metade do ano e demonstra confiança do investidor. Já o head de mesa de crédito privado da Ativa Investimentos, Bruno Reis, discorda: “A gente vai começar a ver outros setores captando agora. O setor de telecom está vindo com bastante emissão e rodovias também voltando a captar”, avalia.

O analista aponta os impactos da crise nos papéis: “Muitos players do mercado colocam um prêmio a mais. Não que não se vá conseguir captar no mercado, mas vão pagar mais caro, dado o risco” diz.

Características no acumulado desde 2012
De 2012 a junho deste ano – período em que existe esse tipo de financiamento – os projetos de energia foram responsáveis por 69,7% da emissão de debêntures incentivadas de infraestrutura. Em segundo lugar estão transporte e logística, com 22,9%. Saneamento e mobilidade urbana somaram 4,5%, seguidos de telecomunicações, com 2,9%.

A duração média de debêntures do setor foi de 6,8 anos, a maior dentre os demais já citados. Ele também teve a maior remuneração média, de 7,6% mais o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O spread médio foi de 1,4%, abaixo do 1,6% do setor de telecomunicações e do 1,8% de saneamento.

Potencial de quase R$ 200 bilhões
Segundo a secretaria, o total de capex dos projetos de infraestrutura já autorizados por portarias desde 2012 soma R$ 589,6 bilhões. Destes, R$ 390,3 bilhões estão vinculados às emissões de debêntures de infraestrutura.

Ou seja, há potencial para emissões correspondentes a R$ 199,3 bilhões cujos projetos estão divididos em: 77,4% de energia; 20,5% de transporte e logística; 1,1% telecomunicações; e 1% de saneamento e mobilidade urbana. A pasta não definiu prazo para esse potencial.

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