Térmicas estão otimistas com a retirada do ‘lance marginal’ no leilão A-6

Térmicas estão otimistas com a retirada do ‘lance marginal’ no leilão A-6

30 de julho de 2019
Lucas Santin, da Agência iNFRA

A Abraget (Associação Brasileira de Geradores Termelétricos) está otimista quanto ao leilão de geração A-6, previsto para 17 de outubro, cujas regras estão em audiência pública no MME (Ministério de Minas e Energia). Em entrevista, o presidente da associação, Xisto Vieira, disse que a exclusão do lance marginal – que é o último lance do leilão – é positiva para as termelétricas.

O lance marginal foi uma novidade que ocorreu no leilão A-6 de 2018, quando se estabeleceu limites de contratação para reduzir os riscos de sobras nas distribuidoras.

Até o A-6 de 2017, a oferta era contratada integralmente. Mas isso provocou excesso de energia no mercado regulado. A mudança da regra no ano passado, no entanto, recebeu críticas de segmentos do mercado, e o ministério reavaliou a conveniência da alteração. Agora, deverão ser retomadas as regras antigas.

Viabilizar ou não o projeto
Xisto explicou: “Digamos que você tenha uma térmica de 500 MW, mas estão sobrando apenas 350 MW de demanda no leilão. No último lance do leilão, esses 500 MW serão todos incorporados, sem a regra do lance marginal”. Com a regra ainda vigente, o projeto termelétrico não seria viabilizado, e uma outra fonte (eólica ou solar) seria contratada.

Segundo Xisto, se houver uma contratação acima dos requisitos reais no próximo leilão, provavelmente essa diferença será diluída sem maiores problemas. “Além disso, em um sistema como o nosso, com 85,8% de hidrelétricas e outras renováveis, e apenas 14,2 % de térmicas, chega a ser até benéfico absorver uma eventual pequena diferença”, disse o executivo.

As diretrizes do MME foram incluídas no edital pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), que está em audiência pública.

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Avaliação positiva
Xisto explicou que as regras gerais propostas para o futuro leilão ainda estão sendo analisadas em profundidade pela associação, mas destacou a mudança positiva. “Com relação à parte regulamentar, do leilão, houve algumas mudanças. Nós vamos avaliar melhor, ainda, mas uma foi muito positiva, que foi uma solicitação da Abraget para não levar em conta o problema do lance marginal.”

Baixa demanda
A preocupação da Abraget agora é em relação à demanda termelétrica neste leilão, que Xisto avalia que deve ser “bem abaixo dos leilões A-6 anteriores”. Ele disse que os estudos de consultores ligados à associação mostram isso. “Olhando a demanda, não parece que seja das maiores. Isso, naturalmente, será corrigido em outros leilões.”

As termelétricas ficaram de fora do leilão A-4 deste ano. “Não foi legal. Eles não deixaram as térmicas concorrerem. Mas agora, realmente, esse leilão aí, parece que a regulamentação dele está mais favorável do que nos leilões anteriores. A gente está com bastante esperança nos leilões aí que devem acontecer. Esse A-6, tomara que a demanda seja maior do que os nossos consultores acham”, comentou.

O leilão A-6 deste ano contará com termelétricas movidas a biomassa, carvão mineral e gás natural. O início do suprimento é em 2025, e o contrato durará 25 anos. A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) registrou 81 empreendimentos dessas fontes (25 a biomassa; 4 a carvão; e 52 a gás natural), com cerca de 44.700 MW de oferta.

Segurança energética
De acordo com Xisto Vieira, as térmicas são importantes porque não dependem de condições climáticas ou temporais. “A energia termelétrica, vamos supor, o combustível dela é o gás. Desde que você tenha feito um contrato adequado do gás, com um fornecedor de porte, o gás estará à disposição do gerador térmico e, portanto, do sistema”, explicou.

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“Então, a diferença entre a usina térmica e as demais é o combustível. O combustível é firme, o das outras não é. Uma depende de São Pedro, outra, não sei qual é o santo dos ventos nem do sol. A diferença é essa”, brincou, ponderando: “Mas as outras têm suas vantagens também. Quando tem água, vento e sol, o custo de operação delas é praticamente zero. Quando não tem, o custo de operação delas é caríssimo”.