Telhas fotovoltaicas para baixa renda entram na mira dos programas de eficiência das distribuidoras

Telhas fotovoltaicas para baixa renda entram na mira dos programas de eficiência das distribuidoras

27 de abril de 2022

Antonio Carlos Sil, para a Agência iNFRA

Ante tarifas de eletricidade em alta acelerada e a portabilidade da conta de luz ainda alguns anos distante do consumidor comum, telhas solares tendem a se tornar uma solução de curto prazo mais acessível à população de baixa renda, como alternativa aos painéis solares tradicionais que nem sempre são adaptáveis a qualquer tipo de residência.

Pelo menos é o que as concessionárias de distribuição de energia estão vislumbrando, inclusive para aplicação em seus programas de eficiência energética voltados para comunidades de baixa renda, um investimento obrigatório conforme regulação supervisionada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Essa sinalização das distribuidoras foi comunicada diretamente à própria fabricante das telhas solares, a Eternit, que, desde 2019 vem investindo no desenvolvimento do produto, aperfeiçoando sua qualidade e performance, mas já com a homologação de dois modelos aprovada pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e também por várias concessionárias elétricas.

Chamadas públicas
No caso dos programas de eficiência, não caberia às próprias distribuidoras oferecer ou instalar as telhas. Mas elas poderiam, por meio de chamadas públicas, selecionar e financiar projetos de empresas que se dispusessem a fazer instalações ou substituições de telhados em comunidades de baixa renda, segundo disse, à Agência iNFRA, Luiz Lopes, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da Eternit.

“As distribuidoras ficaram bem impressionadas com as possibilidades de aplicação das telhas solares, por conta, inclusive, da facilidade de montagem”, assinalou o executivo.

Uma fábrica do grupo, localizada em Atibaia (SP), recebeu equipamentos comprados na Ásia e na Europa. Eles são responsáveis pelos cortes e demais adaptações das células solares aplicadas às telhas, cujo design tradicional de uma delas – a tégula – sofreu leve remodelagem para poder receber os módulos fotovoltaicos. O outro tipo é a produzida em fibrocimento, muito usada em moradias populares.

A cautela na divulgação e introdução da novidade ao mercado em geral se justifica, aponta Lopes, porque a empresa quer garantir aos clientes os resultados positivos que vem obtendo em projetos pilotos, alguns deles voltados para segmentos variados como o agronegócio, por exemplo.

Concorrência
“Não vemos a telha solar como um produto concorrente das placas fotovoltaicas, que há muito são conhecidas do público em geral, mas sim como mais uma alternativa para os casos em que não é possível instalar esse tipo de equipamento. Seja por razões econômicas, estruturais ou mesmo estéticas”, explica.

Por isso, segundo o executivo, o plano é oferecer uma solução completa que inclui a instalação das telhas solares por integradores credenciados, os mesmos que já trabalham com os módulos fotovoltaicos tradicionais.

A telha de cimento com aplicação de células fotovoltaicas tem a vantagem de poder ser instalada em estruturas de madeira convencionais, mais simples, e que não suportariam o peso das placas tradicionais fabricadas em metal e vidro. Ou seja, não é preciso reforçar madeiramentos padronizados.

Além de projetos resultantes das vendas iniciais do produto, a Eternit mantém um showroom em sua fábrica de Atibaia e mais duas instalações pioneiras: uma na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e outra na USP (Universidade de São Paulo). Especialistas de ambas as instituições ajudaram no desenvolvimento dos produtos.

Perguntado sobre investimentos, volume de produção e planos de marketing, Luiz Lopes explicou que nenhum desses dados pode ser antecipado publicamente porque a Eternit possui ações cotadas na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.