Tabela de Frete Rodoviário é rejeitada por unanimidade em reunião da CTLog

Tabela de Frete Rodoviário é rejeitada por unanimidade em reunião da CTLog

23 de agosto de 2018

 

Bernardo Gonzaga, da Agência iNFRA

A CTLOG (Consultoria Técnica em Logística) do ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento se reuniu na quarta-feira (15) para discutir, entre outros assuntos, sobre as consequências do tabelamento mínimo do frete do transporte rodoviário de cargas.

As entidades presentes na reunião concordaram por unanimidade que o ato é prejudicial ao mercado e ao consumidor. A medida foi sancionada em julho com o objetivo de atender as reivindicações dos caminhoneiros que entraram em greve entre maio e junho deste ano.

Segundo a ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), o setor de transportes de cargas não apresenta condições que justifiquem intervenções ativas no seu funcionamento. Além disso, para Daniel Furlan, gerente de economia da entidade, o tabelamento de frete faz com que haja aumento de custos ao consumidor final e perda de competitividade sistêmica para a economia brasileira.

Outro problema apresentado pelo setor foi de que a safra de 2019 já está comprada e o preço final foi feito tendo como referência os preços históricos. Com isso, a tendência é que haja uma margem negativa de comercialização, o que pode gerar impedimento na contratação dos fretes, e, além disso, embarques internos e exportações poderão ser paralisadas.

Furlan disse ainda que a tendência agora é de que o mercado passe a aceitar compra de produtos com preços fixos, porém, as margens agrícolas serão menores e será descontado valor suficiente para cobrir o “risco ANTT” (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que é a responsável por fazer a tabela. “Com o aumento de custo do frete, perdeu-se a referência das compras antecipadas”, disse.

Luiz Antônio Fayet, representante da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) disse que a situação pode se agravar ainda mais do que as expectativas, tendo em vista que o setor agropecuário foi o que mais produziu no país no último ano e depende dos fretes para comercialização. “Nós representamos, no agronegócio, 32% de empregos no país. É onde somos competitivos”, disse Fayet.

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A próxima reunião do CTLOG será no dia 26 de setembro e terá como convidado a o secretário de fomento do PPI (Programa de Parceria de Investimentos), Tarcísio Gomes de Freitas, para falar da tabela de frete e também sobre o valor negativo de outorga da Ferrovia de Carajás.