Rio Grande do Sul tem acordo para estudar 1º hyperloop da América Latina

Rio Grande do Sul tem acordo para estudar 1º hyperloop da América Latina

3 de fevereiro de 2021

Tales Silveira e Rodrigo Zuquim, da Agência iNFRA

O estado do Rio Grande do Sul assinou um acordo, no último dia 19, com a empresa HyperloopTT (Hyperloop Transportation Technologies) para realizar estudos de viabilidade de uma rota ligando a capital Porto Alegre à Serra Gaúcha por meio do sistema de transporte hyperloop. A iniciativa foi apresentada como pioneira na América Latina e será desenvolvida por meio de uma parceria entre a empresa e a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). 

O sistema hyperloop consiste em uma tecnologia, ainda em desenvolvimento, para o transporte de pessoas e mercadorias em alta velocidade, no qual cápsulas para passageiros e carga flutuam dentro de uma rede de tubos de baixa pressão que conecta diferentes localidades, conforme descreve a empresa.

A combinação da levitação magnética e de um motor elétrico linear no interior de um tubo a vácuo permite que as cápsulas se movam em alta velocidade, podendo atingir cerca de 1.200 quilômetros por hora devido à falta de atrito. É uma velocidade superior à praticada por aviões comerciais.

Além da realização do estudo de viabilidade para a implantação do sistema, o acordo assinado entre o governo do estado gaúcho e a empresa inclui a realização de análise das condições ambientais e socioeconômicas, e dos aspectos financeiros do projeto. A HyperloopTT defende a vantagem econômica dessa tecnologia, que não dependeria de recursos públicos para se manter, seria viável comercialmente e sustentável do ponto de vista ambiental, de acordo com os resultados de um estudo realizado em 2019. 

O estudo inicial de viabilidade avaliará aspectos operacionais e estruturais para a criação do sistema na rota determinada, como as possíveis localizações aptas a comportar grandes estruturas e a integração do hyperloop com a estrutura de transporte que já existe.

Na UFRGS, o estudo será coordenado pelos pesquisadores Luiz Afonso Senna, professor convidado do Deprot (Departamento de Engenharia de Produção e Transportes) e presidente da Agergs (Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS), e Christine Nodari, pesquisadora do Lastran (Laboratório de Sistemas de Transportes) da UFRGS.

Especificações para o estudo
De acordo com o diretor para América Latina da HyperloopTT, Ricardo Penzin, o estudo seguirá conforme os que são praticados em outros modais, porém com algumas especificidades que devem ser observadas.

“A diferença é que os dados imputados vão de acordo com o modal, onde falamos de curvatura, velocidade, consumo energético e capacidade de carga. Também vamos fazer o sistema de viabilidade técnica e econômica para passageiros e cargas”, disse.

Penzin informa que na cápsula projetada para o transporte de passageiros cabem entre 40 e 50 pessoas. No estudo também será definido se o trajeto precisará ser subterrâneo ou se poderá seguir, por exemplo, uma rodovia.

“Da demanda de passageiros do fluxo entre Porto Alegre e a Serra Gaúcha, vamos ver quantas cápsulas deverão ser utilizadas”, afirmou o diretor.

A expectativa de HyperloopTT é de finalizar o trabalho em um ano ou até mesmo antes desse prazo. “Eu acredito que entregaremos em oito meses. Estamos com parcerias que trazem uma equipe de treze pessoas da universidade mais o nosso quadro de engenharia dos Estados Unidos. Tudo isso faz com que tenhamos esse otimismo em entregar isso antes do esperado”, afirmou.

Rota nos EUA
Como exemplo dos ganhos estimados com o projeto, Penzin menciona o trabalho da HyperloopTT no desenvolvimento de uma rota entre Cleveland e Pittsburgh, nos Estados Unidos, de cerca de 800 quilômetros.

Segundo o diretor, há expectativa de geração de 900 mil empregos e mais de US$ 40 bilhões na economia. Além disso, milhares de toneladas de CO2 deixarão de ser injetadas na atmosfera com a implementação do sistema hyperloop nessa rota.

“Também teremos um retorno de investimentos em 18 anos, o que, no mundo da infraestrutura, é quase um milagre”, disse.

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