Problemas estruturais em rodovias dobram chances de acidentes graves, aponta CNT

Problemas estruturais em rodovias dobram chances de acidentes graves, aponta CNT

29 de junho de 2018

 

Cláudia Borges, da Agência iNFRA

Estudo da CNT (Confederação Nacional do Transporte) constatou que as deficiências estruturais das rodovias, especialmente de sinalização, são determinantes para o aumento e a gravidade dos acidentes, podendo até dobrar o número de fatalidades graves em comparação com estradas adequadas. O trabalho está disponível neste link.

O levantamento avaliou 41.719 quilômetros de 141 rodovias federais pavimentadas e relacionou com os 43.728 acidentes com vítimas e 4.740 mortos registrados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) nestas rodovias, para estabelecer uma comparação entre a qualidade da infraestrutura rodoviária e o número acidentes, .

O resultado revelou que, nos trechos com deficiência de sinalização, o índice de gravidade pode mais do que dobrar se comparados aos trechos com condições consideradas adequadas.

Nos locais em que a pintura da faixa central está desgastada ou é inexistente ocorrem 47,7% do total de acidentes e das mortes identificadas nas 141 rodovias. O percentual de acidentes é mais elevado quando os problemas são com a pintura lateral, concentrando 49,5% dos acidentes e, 53,5% das mortes nas rodovias analisadas.

As ocorrências dos acidentes foram relacionadas a cada uma das características da infraestrutura, de forma independente, podendo assim ser também identificada a ocorrência de dois ou mais problemas no mesmo local em que o acidente aconteceu.

O estudo mostrou ainda que a combinação entre trechos com a sinalização classificada como péssima e estradas com boas condições de pavimentação aumenta o perigo. O número de mortes em acidentes mais do que dobra. Passa de 8,4 para 18,9 mortes a cada 100 acidentes.

No caso do pavimento, a frequência dos acidentes é mais alta nas rodovias que estão em mal estado. Porém, a gravidade é muito maior quando as condições do pavimento estão ótimas, pois os condutores aumentam a velocidade dos veículos em trechos em perfeitas condições, o que amplia a chance de óbitos.

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Quando o aspecto analisado é a geometria da via, a quantidade de acidentes é maior quando ela é considerada perfeita. Mas a gravidade dos acidentes aumenta quando o trecho possui um traçado com deficiências.

Soluções
O Brasil investiu no ano passado R$ 7,9 bilhões na infraestrutura, valor insuficiente para resolver os problemas das rodovias. Segundo a CNT, é necessário aumentar os investimentos em manutenção, na adequação das vias, na sinalização e na construção. Também é preciso ampliar e tornar mais eficiente a fiscalização ao longo da malha e capacitar melhor os condutores.

Mas medidas simples e baratas de melhoria da sinalização já ajudariam a reduzir em grande escala o número e a gravidade de acidentes e óbitos nas rodovias.

Prejuízo de R$ 11 bilhões
Os acidentes em rodovias federais custaram R$ 10,7 bilhões aos cofres públicos em 2017. Apesar do número de acidentes ter reduzido 30% de 2007 para 2017, passando de 128.440 para 89.396, a gravidade das ocorrências aumentou na mesma proporção.

Considerando que 61,8% da extensão das rodovias no país apresentam algum tipo de problema de sinalização, pavimento ou de geometria viária, os dados do estudo tornam-se ainda mais preocupantes – segundo a CNT. Além disso, a maioria das rodovias foi construída há mais de 40 anos e não passou por nenhum processo de modernização, destaca o estudo

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