Presidente do ONS diz que expectativas para chuvas neste ano são positivas

Presidente do ONS diz que expectativas para chuvas neste ano são positivas

27 de outubro de 2019
Lucas Santin, da Agência iNFRA

As expectativas para o período chuvoso deste ano, que vai de novembro até março do próximo ano, estão positivas. É o que disse o presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Eduardo Barata, em seminário na Câmara dos Deputados na última quinta-feira (24). O executivo foi convidado para falar sobre o nível dos reservatórios de Furnas. Deputados, prefeitos e vereadores de Minas Gerais estavam no evento.

“Os sinais para esta estação chuvosa estão sendo positivos. Os órgãos de clima têm anunciado e nós já temos dados que permitem considerar que nós estamos iniciando o período chuvoso”, disse Barata. “Será um período chuvoso dentro da média na região central do Brasil. Aí estamos falando [das bacias dos rios] Grande, Paranaíba, Tocantins, até mesmo na nascente do São Francisco.”

A chegada das chuvas é necessária para recuperar os reservatórios das hidrelétricas que ao longo dos anos têm se mantido em níveis baixos, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

“Se não chover, sinto dizer, nós não vamos encher [os reservatórios]. Não é possível porque nossas usinas não são reversíveis. Nós não conseguimos mandar água para cima dos reservatórios”, explicou. Além da chuva, disse Barata, é necessário despachar menos usinas de cabeceira, implantadas próximas à nascente do rio.

Despacho de térmicas
Barata comentou que outra possibilidade para poupar reservatórios de hidrelétricas é o despacho de usinas térmicas. O problema neste caso é social, já que a energia termelétrica é mais cara que a hidrelétrica.

“Na hora que gera térmica, a ANEEL [Agência Nacional de Energia Elétrica] aumenta a tarifa e sofre a pressão de todo mundo porque aumentou a tarifa. Então é um jogo de enorme complexidade”, observou.

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“Trabalho conjunto”
O uso dos reservatórios para outras funções, além da produção de energia, foi debatido na audiência. Barata acredita que para recuperar os níveis de água do passado é necessária uma solução conjunta. “Nós só vamos resolver essa questão se nós atuarmos como parceria. […] Aqui se falou em piscicultura, em turismo, na utilização de uma hidrovia. É absolutamente possível fazer isso.”

O executivo assegurou aos presentes que esta não era uma posição dele, mas de todo o setor elétrico. “Hoje, a orientação que nós temos do Ministério de Minas e Energia é de trabalhar em absoluta sintonia com os outros usuários da água.”