Para calar rumores, Bolsonaro visita Bento na sede do MME em sinal de apoio político

Para calar rumores, Bolsonaro visita Bento na sede do MME em sinal de apoio político

6 de setembro de 2019
Leila Coimbra, da Agência iNFRA

O presidente da República, Jair Bolsonaro, quebrou o protocolo duas vezes nesta semana, na quarta-feira (4) e na quinta (5), ao visitar o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na sede da pasta. Normalmente, são os ministros que precisam se locomover e ir ao Palácio do Planalto para despachar com o presidente, de acordo com as regras hierárquicas.

A ida de Bolsonaro ao MME (Ministério de Minas e Energia) foi um claro sinal de apoio político a Bento, em meio aos rumores de que parlamentares querem que o almirante deixe o cargo.

Segundo a assessoria da pasta, o presidente e o ministro trataram, no primeiro encontro, “do andamento das ações prioritárias de governo sob a responsabilidade do MME, com ênfase no setor de mineração e em alguns outros assuntos ligados à área de energia”.

Na quinta, o presidente participou do encerramento do seminário sobre nióbio, à tarde, e, em seguida, foi ao workshop de modernização do setor elétrico, onde disse: “Montamos um ministério realmente técnico, onde os interesses da pátria estão em primeiro lugar”.

MDB em articulação
Desde a semana passada se intensificaram nos corredores do Congresso Nacional as conversas de que estaria na mesa de negociação a sucessão de Bento. Cogitou-se, inclusive, a entrega da pasta de Minas e Energia novamente ao MDB (que comandou o MME durante muitos anos nos governos petistas).

Braga e Bezerra candidatos
Para selar o acordo com o partido, seria indicado ao cargo o emedebista e ex-ministro de Minas e Energia senador Eduardo Braga (AM). Contra Braga, os inimigos logo trataram de lembrar: consta o fato de ter sido ministro da ex-presidente Dilma Rousseff.

Surgiu então um plano B: o atual líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho, pai do ex-ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho – que até então era o favorito ao cargo, mas é do DEM, e não do MDB. Bezerra pai, por sua vez, também já foi ministro, da Integração Nacional, também no governo de Dilma.

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Governo de Pernambuco
O líder do governo, no entanto, teria hesitado diante da possibilidade de assumir o MME, disseram interlocutores. Bezerra Coelho almeja concorrer ao governo do estado de Pernambuco nas eleições de 2022, e a privatização da estatal Chesf poderia ter peso negativo junto ao eleitorado pernambucano.

A Chesf é a subsidiária da Eletrobras no Nordeste, com usinas no principal rio da região, o São Francisco.

Bolsonaro: MME não será de nenhum partido
A ida do presidente ao MME foi um recado aos partidos políticos de que Bolsonaro não entregará a pasta a nenhum partido político, disseram fontes do Palácio do Planalto.

“Isso seria uma desmoralização diante de tudo que o presidente sempre pregou, contra o toma lá, dá cá”, disse a fonte.

Davi Alcolumbre 
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), teria tentado emplacar indicações na Eletronorte, Furnas e Itaipu, sem sucesso até o momento. Por isso estaria insatisfeito com a gestão do almirante Bento.

Mas tudo indica que as relações entre Alcolumbre e o Executivo teriam melhorado, o que proporcionou vitórias do governo Bolsonaro no Senado nesta semana: foi aprovada na terça-feira (3) a PEC da Cessão Onerosa, e, na quarta (4), a CCJ aprovou a PEC da Reforma da Previdência.