Obras de concessionárias preparam contratação de trabalhadores, mas já encaram mais custos

Obras de concessionárias preparam contratação de trabalhadores, mas já encaram mais custos

18 de janeiro de 2021

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

Os martelos batidos pelos representantes de governos nos últimos dois anos nos leilões de concessões de infraestrutura começam, neste ano de 2021, a gerar mais batidas de martelo, cortes de serra e movimentos de máquinas nos canteiros de obras pelo país. 

Concessionárias dos setores de rodovias e ferrovias que tiveram seus contratos concedidos, renovados ou ajustados para a realização de obras estão em fase final de preparação para grandes intervenções com capacidade para gerar milhares de postos de trabalho pelo país.

Santa Catarina, por exemplo, tem uma situação peculiar em que duas concessionárias de rodovias federais se preparam para fazer intervenções de grande porte nos próximos meses. 

A CCR ViaCosteira é um trecho da BR-101 de cerca de 200 quilômetros concedido no início de 2020, com previsão de R$ 8 bilhões de investimentos. Os trabalhos iniciais de preparação da rodovia para o início da cobrança de pedágio já geraram no ano passado 1,8 mil empregos.

Após essa fase, quando começam as intervenções de maior porte, a expectativa do diretor presidente da CCR ViaCosteira, Fausto Camilotti, é chegar a 3,7 mil empregos gerados para a construção, sem contar outros 400 que devem ser contratados para trabalhar nos serviços prestados pela empresa.

Em outro trecho da BR-101, controlado pela Concessionária Arteris Litoral Sul, duas intervenções de menor porte, que somam R$ 60 milhões, vão gerar trabalho a 140 pessoas no pico da mão de obra, ainda neste ano. 

Mas a grande expectativa é pelo início da construção do trecho final do Contorno de Florianópolis, cujas obras foram viabilizadas, após anos de atraso, por uma repactuação do contrato em 2020. Os investimentos totais desse projeto são estimados em R$ 3,7 bilhões, com 3,2 mil funcionários no pico da obra, que já estão sendo selecionados.

157 mil postos em 2020
De acordo com dados do Caged (Cadastros Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia, entre janeiro e novembro de 2020, a construção civil foi o setor da economia com o maior saldo de empregos, 157 mil, ou mais da metade do saldo do ano até então, que era de 227 mil. O estoque de empregos no setor estava estimado em 2,328 milhões.

A maior parte dos empregos gerados na construção civil em 2020 veio da área imobiliária, que reagiu mais rapidamente após a parada com a Covid-19. A expectativa neste ano é que as grandes obras de infraestrutura possam avançar após passarem pelo ciclo de leilão e assinatura de contratos feitos pelo governo federal e alguns estados, especialmente São Paulo e Bahia.

Entre 2019 e 2020, foram 32 ativos leiloados ou renovados somente no Ministério da Infraestrutura, com expectativa de investimentos de R$ 26,5 bilhões (nessa conta apresentada pela pasta não está a renovação antecipada das ferrovias da Vale, concretizada no fim de 2020, e que deve gerar outros R$ 20 bilhões de investimentos). São esses os que vão gerar a maior parte das obras de 2021.

Na Bahia, a expectativa das obras da construção da concessão da Ponte de Itaparica é de 8 mil empregos. Já São Paulo ampliará neste ano a fase de obras da maior concessão rodoviária do país, a Piracicaba-Panorama, que tem estimativa de gerar 7 mil postos de trabalho.

São Paulo tem ainda o primeiro projeto de renovação antecipada de ferrovias que vai produzir investimentos, a Rumo Malha Paulista, que projeta gerar mais de 134 mil vagas ao longo do contrato. Só em 2021, a projeção é de 13,7 mil postos de trabalho, segundo informou a companhia.

“O pai que trabalha conosco vai na padaria local, compra da indústria. Isso cria os empregos e fortalece a economia local. Além disso, compramos muitas coisas aqui, como alojamento, hotéis e restaurantes. A infraestrutura promove um aquecimento geral na economia”, contou Fausto Camilotti, da CCR ViaCosteira, que também já sofre o outro lado da moeda.

Aumento de custos
De acordo com o presidente da concessionária, houve um pico de custos em várias matérias primas do setor de construção civil pela falta de mercadorias para fornecimento ao longo do ano passado, o que elevou preços. Decretos de restrição de atividades também levaram a impactos na movimentação de trabalhadores e na contratação de pessoas. Em 2020, o INCC (Índice Nacional da Construção Civil), calculado pela FGV, fechou em 8,8%.

O elevado número de desempregados hoje, especialmente na área de construção civil, parece deixar distante os entraves dos anos de 2012 e 2013, quando o crescimento do país estava ameaçado pela falta de mão de obra para a construção civil, especialmente de engenheiros. 

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