Nova Ferroeste deve ir a leilão neste semestre para tornar Paraná hub logístico da América do Sul

Nova Ferroeste deve ir a leilão neste semestre para tornar Paraná hub logístico da América do Sul

17 de março de 2022

Danilo Fariello, para a Agência iNFRA

O projeto mais avançado entre as ferrovias autorizadas pela Medida Provisória 1.065/2021 deve ir a leilão ainda neste semestre, com boa parte dos trechos já com licença prévia ambiental pelo Ibama. É o que esperam os responsáveis pela Nova Ferroeste, um conjunto de ferrovias entre os estados de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso.

A meta do governo do Paraná, controlador da empresa, é em abril promover audiências públicas ambientais e publicar um edital para leiloar a Nova Ferroeste, com quase 1.600 quilômetros, passando pelos três estados.

No leilão, previsto para junho, o investidor ganhará o direito a usar o ramal já pronto, de Cascavel e Guarapuava (PR), e construir e operar outros quatro novos ramais que já possuem contrato de autorização assinados com o governo federal.

Após a publicação do edital, previsto para o fim de abril, deverá ocorrer um road show em São Paulo (SP) com potenciais investidores. Confirmadas as expectativas, o leilão deverá ocorrer em junho, com o vencedor escolhido entre quem der a maior outorga, a partir do mínimo previsto para R$ 160 milhões. Em toda a malha, o governo do Paraná prevê investimentos de R$ 29,4 bilhões (em valores de janeiro de 2021) e um prazo de contrato de 70 anos. A TIR (Taxa Interna de Retorno) do projeto foi fixada em 11% ao ano.

A expansão da Ferroeste é um projeto antigo, que foi acelerado agora com a MP das Autorizações Ferroviárias. O governo do Paraná avalia que, no raio de mil quilômetros ao redor do estado, gravitam 70% do PIB da América do Sul. Assim, a Nova Ferroeste reforça a logística do eixo sul do país e se contrapõe à tendência recente de investimentos maciços no Arco Norte, de escoamento de exportações pelo norte do país.

“O potencial de transformar o Paraná num hub logístico da América Latina é tremendo e é a ferrovia que vai promover esse salto para o futuro”, diz Luiz Henrique Fagundes, coordenador do Plano Estadual Ferroviário do Paraná.

Plano agressivo
A Nova Ferroeste faz parte desse plano agressivo do estado para se tornar o segundo maior corredor de cargas do país, perdendo apenas para o caminho que inclui a Malha Paulista e o Porto de Santos (SP). Esse plano inclui investimentos em rodovias e no Porto de Paranaguá (PR). Segundo Fagundes, essa será uma solução logística nacional e internacional de cargas, uma vez que haverá um ramal de Cascavel chegando à Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira com Argentina e Paraguai.

Em outubro do ano passado, o projeto da Ferroeste foi apresentado em Abu Dhabi, com expectativa positiva por parte de potenciais sócios e financiadores, segundo Fagundes. Outros potenciais investidores, como empresas chinesas e mesmo as grandes cooperativas agrícolas da região Sul, também já foram conhecer o projeto.

Carga de retorno
A Nova Ferroeste chama a atenção do governo federal por sua potencial produtividade também com o uso da chamada “carga de retorno”, comenta Marcello da Costa, secretário de Transportes Terrestres do Ministério da Infraestrutura.

Atualmente, 90% das cargas sobre trilhos no país correm para o mar, onde são enviadas ao exterior por portos. Na Ferroeste, com o ramal Guarapuava a Paranaguá sendo construído em tecnologia avançada, com raios maiores e menor inclinação, é grande a expectativa do uso dos trilhos para importação para o interior do continente. Para Fagundes, da Ferroeste, em Paranaguá poderão chegar fertilizantes para abastecer por linha férrea a produção agrícola do Centro-Oeste, assim como também será possível criar novas linhas para produtos importados.