Nenhuma fonte é capaz de aumentar em 5,5 GW a geração imediatamente, diz ABEEólica

Nenhuma fonte é capaz de aumentar em 5,5 GW a geração imediatamente, diz ABEEólica

27 de agosto de 2021

Ludmylla Rocha, da Agência iNFRA

A presidente-executiva da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Élbia Gannoum, afirmou em entrevista à Agência iNFRA que nenhuma das fontes de geração de energia disponíveis consegue aumentar a produção em tão curto prazo, conforme necessidade descrita em estudo divulgado na última quarta-feira (25) pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

“Nenhuma fonte tem capacidade de responder isso agora a não ser que eles consigam mais térmicas”, ponderou. No relatório, o ONS afirma que é “imprescindível para o atendimento energético assegurar o aumento da oferta em cerca de 5,5 GWmed (gigawatts-médios) a partir de setembro”. Leia aqui. Na quarta-feira (25), a carga gerada pelo SIN (Sistema Interligado Nacional) foi de 73,35 GWmed. 

Diante deste cenário, a executiva acredita que as ações do governo do lado da demanda estão corretas. O MME (Ministério de Minas e Energia) lançou o programa de incentivo à redução do consumo pelas indústrias, chamado de Resposta Voluntária da Demanda, determinou o corte de até 20% dos gastos com energia nos prédios públicos federais e também anunciou um plano de bonificação para os consumidores de pequeno porte que diminuírem seu consumo.

Como sugestão para alcançar tal aumento da oferta, o ONS cita medidas como adiamento de manutenções programadas, importação de energia, garantia de disponibilidade das usinas merchant (sem contrato), viabilizar o terceiro navio regaseificador em Pecém, no Ceará, flexibilizações dos níveis mínimos nos reservatórios das usinas de Ilha Solteira e Três Irmãos, entre outras.

Reforça-se ainda a necessidade de flexibilização dos critérios de segurança de N-2 para N-1 para intercâmbio de energia entre os subsistemas, “como recurso para atendimento energético e de potência”. A medida foi citada pelo diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (25) para tratar das medidas adotadas para mitigar os efeitos da crise hídrica.

Na ocasião, ele explicou que, a despeito das chuvas terem tido menor intensidade do que o esperado na região Sul, o Nordeste tem tido desempenho “espetacular” na geração de energia eólica, que estão “batendo recordes atrás de recordes”.

Eólica produzirá 20% da carga do SIN
Segundo Gannoum, a tendência é que os recordes se renovem ano a ano. “A capacidade instalada a cada ano está crescendo em torno de 15%. A cada ano a gente coloca 2,5 GW (gigawatt) e, neste ano de 2021, em especial, a gente vai colocar 3 GW”, explicou. Com isso, a fonte deve ser responsável pela primeira vez considerando a média do segundo semestre por 20% da produção no SIN.

“A gente até chegou no ano passado num momento de pico de atender 20%, mas às 20h de um dia X. Mas esse número médio de 20% nesse período, que é o segundo semestre, ele é inédito. A gente tinha chegado no ano passado a 16% e agora estamos chegando a 20%”, explicou.

A presidente-executiva afirmou ainda que, no curto prazo, não vê gargalos para esse desempenho, mas ressaltou a importância da expansão de rede de transmissão para garantir o escoamento da energia gerada. Ela afirmou que tem realizado reuniões com o MME sobre o tema e que a associação faz estudos para acompanhamento que são compartilhados com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Ela cita como exemplo o leilão A-5 aprovado nesta semana pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). “Saiu o estudo de margem de escoamento para esse leilão A-5 e a gente está com pouquíssima margem de escoamento na Bahia e no Rio Grande do Norte, por exemplo. Não é a transmissão do Nordeste para o Sudeste como um todo, mas são as transmissões intrasubmercado e é isso que indica que ‘olha, planejador, tem que fazer mais transmissão aqui’”, citou.

600 MW antecipados
Gannoum afirmou também que o setor antecipou a entrada de operação de cerca de 600 MW (megawatts) em capacidade instalada. Projetos que entrariam em funcionamento mais para o fim do ano foram sendo adiantados em aproximadamente dois meses.

“600 MW num momento em que o custo marginal de operação está em torno de R$ 3.000 é um número muito relevante”, opinou.

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