Ministro de Minas e Energia deve indicar sucessor após se filiar ao MDB

Ministro de Minas e Energia deve indicar sucessor após se filiar ao MDB

22 de março de 2018
Leila Coimbra, da Agência iNFRA

Reviravolta no cenário político de Pernambuco deve alterar a sucessão no Ministério de Minas e Energia. Abriram-se as portas para que o titular da pasta, Fernando Coelho Filho, filie-se ao MDB, partido do presidente Michel Temer, e se cacife para indicar o seu sucessor no comando do ministério.

Neste novo cenário, ganham força os nomes de Paulo Pedrosa, secretário-executivo da pasta, e Márcio Felix, secretário de petróleo e gás, como os prováveis futuros ministros de Minas e Energia, como uma espécie de Plano B.

Pedrosa é o nome mais forte e o preferido do setor elétrico. Mas os atuais ministros estão sendo orientados a indicar mais de um nome, para que a Casa Civil e Palácio do Planalto tenham mais de uma opção. Márcio Félix tem a seu favor o fato do setor de petróleo estar indo bem, com perspectivas de grandes receitas para o Tesouro Nacional. Félix tem também a simpatia de políticos e assessores graduados do Planalto.

Henrique Meirelles, titular do Ministério da Fazenda, por exemplo, levou ao Planalto os nomes de dois dos seus secretários: deu aval ao seu substituto imediato, Eduardo Guardia, mas também referendou o nome de Mansueto Almeida, secretário de acompanhamento fiscal.

O que houve em Pernambuco?
Havia uma disputa interna pelo comando do MDB no estado, e o senador Fernando Coelho (MDB-PE), pai de Fernando Filho, estava perdendo a briga. Mas a executiva nacional do MDB dissolveu na terça-feira (20), por 17 votos a 6, o diretório estadual do partido em Pernambuco. Isso depois de uma decisão favorável do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).  O ministro Admar Gonzaga Neto derrubou, na noite da segunda-feira (19), decisão que impedia a dissolução do diretório local.

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A decisão nacional do MDB retirou o comando da legenda do deputado Jarbas Vasconcelos e o passou para o senador Fernando Bezerra Coelho, pai do ministro.

Bezerrão é candidato a governador, diz Jucá
Com isso, o MDB sai da base de apoio ao governador Paulo Câmara (PSB), que tentará a reeleição, e passa a liderar uma chapa de oposição, provavelmente com o senador Bezerra como o candidato a governador.

O senador Romero Jucá (RR), presidente nacional do MDB, disse que o senador Bezerra deve ser o candidato do partido ao governo do estado. Nessa nova costura política, disse Jucá, a chapa teria como candidatos ao Senado: Armando Monteiro (PTB), atual senador, e o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM). O atual ministro Coelho Filho será candidato à reeleição para a Câmara Federal, conforme anunciado anteriormente.

Caciques do MDB querem o ministério
A filiação de Coelho Filho ao MDB apazigua os ânimos de alguns dos caciques do partido, na opinião de um integrante do governo. O ex-ministro de Minas e Energia e senador Edison Lobão (MDB-MA) e o ex-presidente José Sarney (MDB-AP) – políticos que ainda têm grande poder de voto sobre seus redutos eleitorais – pressionavam Temer e seus ministros palacianos para retomar o poder sobre o setor de energia. O senador Eduardo Braga (AM), também emedebista, corria por fora na disputa, com menos chances. Na teoria, o ministério volta par a sigla.

Indicação na ANEEL acendeu o sinal vermelho
O setor elétrico, preocupado com a sucessão no MME, não gostou quando soube, na semana passada, que o ministro Coelho Filho havia indicado o superintendente da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, para uma das vagas da diretoria do órgão regulador. O maranhense Feitosa tem como padrinhos políticos Sarney e Lobão.

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O governo havia sinalizado ao setor que estava cedendo aos pleitos dos políticos maranhenses. O nome de Feitosa está na Casa Civil, segundo o MME, aguardando publicação no Diário Oficial.