Ícone do site Agência iNFRA

Mercado acredita que Tanure pode assumir a Light via aumento de capital e trocar a diretoria

Leila Coimbra e Roberto Rockmann, da Agência iNFRA

O empresário Nelson Tanure, que se tornou nas últimas semanas o maior acionista da Light, com 21,8% das ações, vem ganhando a simpatia do mercado financeiro para assumir a companhia. A torcida, porém, não é declarada, uma vez que Tanure não tem um perfil empresarial ortodoxo.

Corre nos bastidores a informação de que o empresário pretende aumentar ainda mais a sua participação na companhia de energia, por meio de aumento de capital, injetando US$ 500 milhões na empresa.

O dinheiro poderia ser usado para sanar ao menos as dívidas que vencem nos próximos meses, de cerca de R$ 1 bilhão, e seria um aceno aos credores, ainda que os recursos não sejam suficientes para recuperar financeiramente a empresa, com dívidas de R$ 11 bilhões.

A expectativa do mercado financeiro, segundo apurou a Agência iNFRA, é de que o empresário, caso venha a assumir o controle da empresa, demita o conselho e a diretoria, e reverta o cenário de RJ (Recuperação Judicial).

Tanure tem se reunido com investidores da empresa e mercado financeiro para alinhar pontos para a sobrevivência da concessionária. Na semana passada, encontrou-se com o empresário Ronaldo Cezar Coelho, que detém cerca de 20% do capital da concessionária.

Atualmente, A Light tem o capital pulverizado na bolsa, no modelo corporation. Mas Tanure vem adquirindo cada vez mais ações da companhia.

Se o aumento de capital se concretizar e os outros acionistas não acompanharem o movimento, haverá a diluição deles na estrutura societária, e o empresário passará a ter maior participação, com direito a indicações no conselho e na administração da empresa.

Guinada
O mercado financeiro prevê que o objetivo de Tanure será modificar totalmente a estratégia da atual administração. Uma das apostas do mercado seria a reversão do cenário de RJ, disse uma fonte. Isso abriria o caminho para uma negociação com o MME (Ministério de Minas e Energia) e a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) da renovação da concessão.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já teceu críticas à atual administração da empresa. Ele não teria gostado de saber pela imprensa de que a empresa estava avaliando ingressar em recuperação judicial, o que acabou se confirmando um dia depois de a notícia ser publicada.

Uma outra questão seria em relação ao plano de remuneração dos executivos, que prevê um bônus robusto para as metas de renovação da concessão para a diretoria atual. Essa proposta foi criticada por acionistas minoritários e credores.
 
AGE
Em 7 de junho, a Light terá uma AGE (Assembleia Geral Extraordinária) para ratificar a decisão de recuperação judicial tomada em maio pela diretoria e conselho. Os credores já se preparam para contestar a decisão na AGE.
 
A Light está em recuperação judicial desde a decisão do juiz em 15 de maio. A tensão entre credores brasileiros e estrangeiros com a empresa continua elevada. De um lado, a Light diz que sempre esteve aberta às discussões e alega que as críticas de credores estariam ligadas a detentores de papéis responsáveis por menos de 10% da dívida da empresa. De outro, os credores apontam que as conversas continuam esparsas e que não há ainda uma proposta formal de quando a empresa deve iniciar a proposta de renovação da dívida
 
O contrato de concessão da Light expira em 4 de junho de 2026. Pela legislação, a empresa tem de manifestar publicamente o interesse na renovação três anos antes do término do contrato, ou seja, tem até o fim da semana que vem para fazê-lo.

Em paralelo, cresce a expectativa em relação à CP (Consulta Pública) sobre as regras de renovação ou não dos contratos de distribuição que expiram entre 2025 e 2032 e que abrangem cerca de 60% do mercado cativo. Esse é um ponto nevrálgico para a sobrevivência da Light e para os credores. A CP estava programada para ser realizada em 10 de abril, mas tem sofrido adiamentos. Rumores apontam que poderá ser lançada em junho.

A ANEEL informou que não cabe à reguladora tratar sobre renovação ou relicitação da concessão das distribuidoras de energia até que o MME defina qual será o modelo e o processo, mas que o prazo para a Light demonstrar interesse oficialmente se encerra em 4 de junho. “Com a regra definida pelo ministério, a agência implementa”, afirmou a assessoria. A pasta e a Light também foram questionadas, mas não responderam até o fechamento da matéria.

(colaborou Marisa Wanzeller)

Sair da versão mobile