Investimento em infraestrutura tem que dobrar para Brasil chegar a nível adequado, aponta novo estudo

Investimento em infraestrutura tem que dobrar para Brasil chegar a nível adequado, aponta novo estudo

14 de janeiro de 2021

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

Mantida a média de investimentos dos últimos 25 anos, o Brasil vai demorar cerca de seis décadas para chegar ao nível de gastos em infraestrutura necessários para alcançar o patamar de países desenvolvidos.

Essa necessidade de gastos para que a nossa infraestrutura esteja entre as 20 melhores do mundo no pilar de infraestrutura do ranking de competitividade do WEF (Fórum Econômico Mundial, na sigla em inglês) é estimada em R$ 339 bilhões ao ano em 2038. Mas, considerando os dados das últimas décadas, a projeção é que em 2038 ela ainda esteja na casa dos R$ 160 bilhões, ou metade do necessário.

É o que aponta o novo estudo do Infra 2038, um think tank do setor de infraestrutura. Desenvolvido pela consultoria Pezco Economics, o trabalho foi apresentado nesta terça-feira (12) junto ao relatório anual da organização que indica avanços que o país teve no setor, mesmo em ano de pandemia.

“Pelo que se fez nos últimos dois anos, acreditamos que será possível chegar antes ao patamar de investimentos necessários para alcançar o objetivo. Mas o modelo econométrico que criamos tem base nos anos passados, com investimentos muito baixos. No modelo não tem achismo”, afirmou Frederico Turolla, sócio da Pezco Economics e um dos integrantes do Comitê Executivo do Infra 2038.

No primeiro estudo feito pelo Infra 2038, publicado em 2019, o trabalho indicou que, mantido o ritmo atual de investimentos, o país teria um estoque de infraestrutura menor que o atual (dos mais baixos do mundo), considerando países de nível semelhante. 

Conforme mostrou a edição 677 da Agência iNFRA, o trabalho anterior analisava os componentes do ranking do WEF, indicava o que seria necessário para seguir avançando em cada setor e mostrava um número semelhante de necessidade de investimentos, na casa dos R$ 3 trilhões no período, e a necessidade de se dobrar os valores médios dos últimos anos.

Segundo Turolla, a intenção da organização é fazer anualmente estudos utilizando diferentes metodologias e analisando novos aspectos do setor de infraestrutura. Por isso, em 2020, escolheu-se a análise por um modelo econométrico específico (regressão quantílica) para buscar as necessidades de investimentos para o desenvolvimento do setor no Brasil de forma mais pormenorizada.

De acordo com Turolla, em outros anos, outras metodologias podem ser buscadas para tentar entender como chegar ao objetivo de estar entre os 20 países melhores do ranking do WEF. 

O WEF não divulgou os resultados de 2020 de seu ranking. De acordo com a Fundação Dom Cabral, que é o órgão responsável por fornecer os dados do país ao WEF, houve melhora do país nos indicadores relacionados ao setor de infraestrutura em 2020 (edição 916 da Agência iNFRA). Turolla afirmou que a conclusão de que houve melhorias nos últimos anos também foi unânime entre os membros do comitê.

“Tivemos conquistas transversais e setoriais, mesmo num ano de pandemia. Foi um ano auspicioso para a infraestrutura”, disse o coordenador do estudo.

Avanços na estruturação de projetos
De acordo com Turolla, as principais melhorias apontadas no relatório de 2020 da organização estão os avanços no ambiente institucional, de regulação e de financiamento para o setor, além de melhorias em alguns marcos legais. O ponto de maior destaque é o aumento da velocidade e do ritmo da estruturação de projetos de concessão, tanto no ambiente nacional como nos subnacionais, o que está levando a um volume significativo de projetos em realização no país, na visão do Infra 2038.

Segundo o integrante do grupo, outro avanço institucional destacado é a mudança da gestão do planejamento com a integração da área econômica, o que criou transversalidade para um planejamento mais efetivo. O Observatório da Infraestrutura, criado no Ministério da Economia, também foi apontado como um instrumento inovador pela forma como pretende criar uma priorização e coordenação de projetos no país para dar maior efetividade aos investimentos.

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