iNFRADebate: Um novo marco para a produção de energia no país

iNFRADebate: Um novo marco para a produção de energia no país

15 de julho de 2019
Pedro Zinner*

Pouco a pouco o país recoloca nos eixos o setor energético brasileiro, superando solavancos nos últimos anos. Em lance recente, o leilão de energia realizado em maio para abastecer Boa Vista e localidades conectadas garantiu muitos avanços para todo o sistema. Um benefício mais evidente é o aumento da segurança energética de Roraima, que hoje depende da energia vinda da Venezuela e de usinas a diesel – poluentes e com alto custo ao bolso dos brasileiros. E aponta que a produção e utilização do gás natural em terra no Brasil para geração de energia elétrica pode ocupar papel central na transição da matriz energética nacional, garantindo a expansão das energias renováveis, de forma limpa e segura.

Responsável por 40% da capacidade termelétrica em operação do subsistema Norte, a Eneva foi uma das vencedoras do leilão e será responsável por quase metade de toda potência ofertada. Para fornecer energia a Roraima, foi desenvolvido o primeiro projeto biestadual do país: o gás será produzido no Campo de Azulão (AM), adquirido pela Eneva em 2018 dentro do plano de desinvestimentos da Petrobras, e será levado diariamente por carretas a Boa Vista, para abastecer usina térmica, a ser construída também pela Eneva para gerar energia para a capital.

O projeto foi desenhado de forma inovadora para garantir a segurança energética do único estado não conectado ao Sistema Interligado Nacional, com impactos diretos na economia e nos índices sociais. Em Roraima, o projeto da Eneva contribuirá para reduzir em 38% o custo representado pela geração de energia elétrica para este sistema isolado. A economia gerada por uma matriz mais limpa trará vantagens, ainda, para o restante do país, com impacto na conta de luz.

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O estado do Amazonas também se beneficiará do projeto. Apesar de ser o maior produtor de gás natural em terra do país, Amazonas viu suas reservas caírem 57% nos últimos 10 anos, por falta de investimentos. A retomada da atividade exploratória no estado, com o início de produção de uma nova bacia, a do Amazonas, será fundamental para o desenvolvimento econômico e social da região.

O novo projeto utilizará a experiência já adquirida da Eneva na exploração de gás e geração térmica no Maranhão de forma integrada, com a construção de usinas a gás natural nas proximidades dos poços produtores – o chamado Reservoir-to-Wire. Assim, a produção de gás natural em terra, antes inviável pela inexistência de infraestrutura de dutos, foi possível a partir da interligação com o sistema elétrico.

O modelo Reservoir-to-Wire permitiu ao Maranhão, em seis anos, ocupar o posto de segundo maior produtor de gás em terra do país, responsável por 11% da produção de energia elétrica a partir do gás natural. A iniciativa mudou a realidade do interior do estado, com expressiva injeção de investimentos, pagamento de royalties e geração de empregos.

O Maranhão e, futuramente, Roraima e Amazonas configuram exemplos de uma transição importante. Há que se investir no potencial da produção de gás natural em terra no Brasil, e em seu papel de levar desenvolvimento econômico para regiões afastadas dos grandes centros urbanos, além de benefícios da integração com o sistema elétrico, contribuindo para a segurança energética e modicidade tarifária.

*Pedro Zinner é economista. Diretor-presidente e diretor de Relações com Investidores da Eneva.
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