iNFRADebate: O papel da energia solar na universalização e na cidadania

iNFRADebate: O papel da energia solar na universalização e na cidadania

6 de outubro de 2021

Marisa Zampolli*

O acesso à energia é extremamente importante para a dignidade, conforto e segurança das pessoas, possibilitando que elas tenham alcance a inúmeros bens e serviços, mas infelizmente, nem todos os cidadãos têm conexão às redes energéticas; muitas comunidades vivem isoladas, despercebidas e sem reconhecimento no seu direito à cidadania. 

Quando falamos de universalização do sistema elétrico, pensamos exatamente em como levar matrizes limpas para todos os cantos do mundo, gerando grandes mudanças nas comunidades. Entre as diversas fontes renováveis, a fotovoltaica é a mais propensa a atingir as localidades remotas, visto sua fácil instalação e economia proporcionada. 

Um exemplo disso ocorre no Maranhão, onde o projeto “Luzes nos Lençóis” beneficiou as comunidades isoladas nos Lençóis Maranhenses. Ao todo, 140 famílias e 6 povoados nativos – Canto dos Atins, Ponta do Mangue, Mata Fome, Baixa Grande, Queimada dos Britos e Ponta Verde – passaram a ter acesso à eletricidade, graças à instalação de sistemas solares. Outra ação similar ocorreu em uma região da Amazônia, com uma comunidade ribeirinha de Santa Helena do Inglês, onde cerca de 100 pessoas, de 32 famílias, foram favorecidas com a instalação de painéis, como parte do programa “Sempre Luz”, que busca facilitar o uso da energia para pessoas indígenas e ribeirinhas. Enquanto isso, a ONG FoE (Amigos da Terra, em português) tem um projeto para instalar 2300 GW de fontes renováveis, até 2050, no continente africano, sendo a maior parte advinda de sistemas solares. É exatamente sobre isso que se trata a transição energética: acesso a matrizes renováveis para todos.

Sabemos que para transformar a maneira como produzimos e consumimos os recursos energéticos é necessária a criação de um novo sistema, que não se baseie em fontes finitas e prejudiciais ao meio ambiente.  Para isso, é preciso um aprimoramento de custos e infraestrutura que beneficie a população, os centros urbanos, rurais e comunidades afastadas. Dessa forma, seria possível lidar de forma positiva com as necessidades humanas, sem que o planeta entre no tão temido colapso climático, como o aquecimento global e efeito estufa. 

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Um estudo publicado pela Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) explica que o setor solar é o que tem maior potencial de crescimento e valorização para o futuro, devido à sua vasta capacidade de geração. Se pensarmos que instalações residenciais em mini ou microrredes podem se tornar cada vez mais comuns, podemos vislumbrar um futuro em que a geração elétrica ocorra de forma autônoma, econômica e sustentável. 

*Marisa Zampolli é CEO da MM Soluções Integradas, engenheira elétrica e especialista em gestão de ativos.
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