iNFRADebate: No ambiente da pandemia, o “novo diferente”, será o grande diferencial para as empresas

iNFRADebate: No ambiente da pandemia, o “novo diferente”, será o grande diferencial para as empresas

30 de setembro de 2021

Leticia Pineschi*

O ano de 2021 começou impondo um cenário duro para a sociedade. Entre velhos e novos padrões, as empresas criaram estratégias para tentar manter seu ritmo ou, pelo menos, permanecer ativas, apesar da pandemia da Covid-19. Esse esforço conjunto fez com o setor produtivo se renovasse com mais agilidade. Um dos pontos positivos desse processo foi o fortalecimento da agenda ambiental determinada pela “onda verde”, e a forma como lidamos com a sustentabilidade tomou uma dimensão ainda maior. O expoente da mudança é o ESG (Environmental, Social and Governance – ou, em português, ASG, referindo-se a Ambiental, Social e Governança).

O tema vem ganhando cada vez mais espaço em todos os setores e a maioria das empresas já entendeu que competitividade e sustentabilidade podem ser complementares. Podemos, sim, ser agressivos no mercado de negócios e proteger o meio ambiente, respeitar os clientes e investir nos colaboradores sem abrir mão dos bons resultados. E uma ação responsável diante do planeta precisa ter como foco o ser humano, principalmente diante de um panorama em que sociedades e economias ao redor do mundo foram severamente afetadas pela crise sanitária. Isso fez com que 30% dos investidores reconhecessem a importância da agenda ESG para uma recuperação gradual e equilibrada das atividades econômicas.

Mas qual o papel da ESG na agenda ambiental para o transporte rodoviário de passageiros? Do que trata esse tema? E como podemos trazer isso para os negócios?  No Brasil, o transporte de passageiros utilizando ônibus é naturalmente um exemplo de sustentabilidade, na medida em que fortalece a mobilidade urbana, estimulando o coletivo em vez do individual.

Falta agora que as empresas responsáveis pelo transporte de passageiros, um serviço essencial e de importância social, sejam assertivas no sentido de ressaltar seus pontos positivos em favor da sustentabilidade. Mas, como elas podem mostrar que já atuam com essa consciência, se isso não é revelado e algumas vezes nem sequer é percebido pela sociedade e pelos clientes? A palavra-chave para essa mudança é a comunicação, com clientes, colaboradores, parceiros e até governo. É preciso que as empresas não apenas sejam sustentáveis, mas “pareçam sustentáveis”, ou seja, que sejam reconhecidas como tal. 

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Temos vários exemplos no setor. Há companhias que adotaram políticas internas de reaproveitamento da água utilizada na lavagem dos ônibus, possibilitando que a água usada seja encaminhada para um sistema de triagem, no qual é realizada a separação de água e óleo, e, em seguida, segue para filtros para a retirada das impurezas e do odor, retornando para o uso em novas lavagens. Outras, promovem ações com foco na preservação do meio ambiente como, por exemplo, a separação de resíduos em recipientes específicos e identificados com destinação final adequada/licenciada. E há ainda aquelas que, além da adesão ao programa socioambiental Despoluir, Programa Ambiental do Transporte iniciativa do SEST SENAT e da CNT, adotaram a energia limpa e acabaram se tornando grandes produtoras de energia solar. 

Além dos casos citados, vale lembrar e comunicar as práticas preventivas realizadas por muitas empresas regulares do setor rodoviário, como os treinamentos e os cuidados essenciais juntos aos motoristas, que, além de serem os responsáveis pelos ativos das empresas, zelam pela vida, bem-estar e segurança dos passageiros.

Governança Ambiental, Social e Corporativa é um processo constante e crescente, que deve fazer parte da “alma” das empresas, e aquelas que atuam com esses princípios saberão sempre entender os riscos do negócio como oportunidades de crescimento. No ambiente da pandemia, o “novo diferente”, será o grande diferencial.

*Letícia Pineschi é conselheira da Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros).
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