iNFRADebate: Bases para a retomada econômica no pós-pandemia

iNFRADebate: Bases para a retomada econômica no pós-pandemia

9 de julho de 2020
Eduardo Correia Miguez*

A pandemia da Covid-19 gerou uma crise econômica e uma incerteza muito grande, pois não sabemos quando a “normalidade” voltará, o que prejudica muito as previsões e cenários traçados pelas empresas.

Mas é neste momento que precisamos aproveitar para construir os alicerces para a retomada da economia em breve. Neste ambiente de muitas incertezas, mas de muitas oportunidades também, observamos com otimismo o processo de recuperação econômica, no âmbito de atuação da Autoridade Portuária do Rio de Janeiro. 

Percebemos que continua grande a demanda por investimentos em áreas dos nossos portos organizados. Os chamamentos públicos que lançamos no mercado nos dá a certeza de que em breve a economia vai se recuperar. Estamos construindo as bases para essa retomada. Diversos projetos de arrendamento, com vultosos investimentos, continuam em andamento. É certo que tivemos atraso no processo, o que é natural. Percebemos que alguns setores foram mais afetados que outros, mas esperamos em breve encaminhar à SNPTA (Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários) diversos EVTEAs (Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental) para se somar aos que já enviamos, no sentido de podermos licitar os projetos para nossos portos. São projetos ambiciosos e que trarão grande retorno para a economia e para a sociedade. Podemos destacar a criação de um “hub” da indústria de gás no Porto de Itaguaí, terminal de apoio à operação offshore no Porto do Rio, assim como terminais de granéis líquidos, carga geral e granéis sólidos nos portos do Rio de Janeiro e Itaguaí. É fundamental que não percamos o “timing”, pois o mercado é quem dita o momento certo para a realização dos investimentos privados.

Tivemos que nos adaptar, ampliando prazo para respostas ao chamamento, instruindo sobre o funcionamento do processo para os interessados e planejando alternativas aos projetos originais, em alguns casos. O importante foi não pararmos e termos expandido nossa atuação comercial. Caso o processo de licitação ocorra de forma célere, teremos um resultado excelente para o estado do Rio de Janeiro, com geração de renda, empregos e de eficiência logística para toda cadeia produtiva.

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O momento de crise deve ser aproveitado para identificarmos oportunidades e olharmos não apenas para fora, mas também para dentro da organização. É a hora de repensarmos nos planos que fizemos e as adaptações necessárias. 

Olhando agora sob outro enfoque, o profissional também precisará se reinventar se quiser se destacar no pós-pandemia. É fundamental nesse momento que o trabalhador consiga pensar de forma sistêmica, entendendo e identificando oportunidades de melhoria nos diversos processos da empresa. Essa visão pró-ativa e construtiva gera um grande diferencial para as empresas que conseguirem desenvolver esses profissionais.

Existem diversas técnicas para desenvolver essa habilidade. Fato é que esse funcionário que conseguir entender o processo em que está inserido e suas inter-relações e apresentar melhorias e oportunidades de redução de custo e aumento de eficiência, agregando valor à empresa, será de grande importância para as organizações no mundo pós-pandemia. As bases e o desenvolvimento dessas habilidades precisam ser iniciados agora para que possam contribuir no processo de retomada econômica.

Existem diversas técnicas e ferramentas que podem ser aplicadas para esse desenvolvimento, como, por exemplo, mapeamento de processo, ferramentas da qualidade (PDCA, GUT, Diagrama de Ishikawa, entre outros), “lean”, seis sigma etc. Para que o profissional possa colocar em prática suas habilidades é fundamental que a empresa forneça o clima e as condições necessárias para isso. A melhoria na comunicação interna entre as equipes, o compartilhamento de informações e a meritocracia são fatores importantes nesse âmbito. Note-se que não é primordial o investimento em cursos e sistemas caros no primeiro momento, mas, sim, capacidade de análise, estudo e pró-atividade. Os sistemas e cursos serão ferramentas úteis nas mãos de quem souber usar.

Dessa forma, o governo proporcionando as condições para que os investimentos possam ser realizados e as empresas criando as condições internas para que seus funcionários possam desenvolver estratégias para melhorar sua competitividade, existe grande potencial para uma retomada da economia no mundo pós-pandemia, respeitando a particularidade de cada setor.

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*Eduardo Correia Miguez é gerente de Desenvolvimento de Negócios da CDRJ (Companhia Docas do Rio de Janeiro).
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