Governo do RJ quer outorga da Vale para levar ferrovia do ES ao Porto do Açu

Governo do RJ quer outorga da Vale para levar ferrovia do ES ao Porto do Açu

20 de janeiro de 2021

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

O governo do Rio de Janeiro vai apresentar uma proposta para que os recursos que a Vale tem a pagar das outorgas de renovação antecipada da EFC (Estrada de Ferro Carajás) e da EFVM (Estrada de Ferro Vitória a Minas) possam ser usados num plano para levar ferrovia até o Porto do Açu (RJ).

A ideia é ampliar o ramal que a própria Vale se comprometeu a fazer, já descontando de recursos da outorga, da EF-118 entre Vitória e Anchieta (ES). E fazer com que essa mesma ferrovia alcance o Porto do Açu, que fica no norte do Rio de Janeiro.

Segundo o secretário de Transportes do estado, Delmo Pinho, um projeto básico entregue em 2018 ao governo federal estimou a construção desse trecho em R$ 2,5 bilhões. A outorga a ser paga pela Vale está estimada em R$ 4,2 bilhões.

Mas, para o secretário, não será necessário que a Vale entre com todo o recurso para a construção do ramal. Ele afirmou que a proposta é que a empresa e o Porto do Açu possam colocar recursos próprios na faixa dos R$ 800 milhões para o desenvolvimento do projeto.

Segundo ele, um estudo encomendado pelo governo mostrou que o Porto do Açu será importante para o escoamento da produção agrícola de uma bacia agrícola denominada pela Embrapa de Centro-Leste, que pega grandes regiões de Minas Gerais e de Goiás.

Pinho afirmou ainda que o Porto de Tubarão (ES) tem congestionamentos constantes que levam navios a ficarem 17 dias esperando para atracar, ampliando os custos para o transporte de mercadorias. 

O secretário do Rio de Janeiro defendeu ainda que o Açu está desenvolvendo projetos energéticos de geração de energia a gás natural que podem, de acordo com estudos já em andamento, levar à produção local de fertilizantes, o que geraria o efeito para o sistema ferroviário de garantir frete no retorno dos produtos agrícolas transportados para exportação.

Renovação da MRS
Delmo Pinho também afirmou que vai seguir insistindo com o governo federal para que a MRS inclua em seu projeto de renovação antecipada a criação de um ramal ferroviário entre a cidade de Nova Iguaçu (RJ) e o Polo Petroquímico do Comperj, em Itaboraí (RJ). A proposta não está contemplada entre os que estão em produção de projetos executivos para a renovação antecipada da concessão da malha.

Segundo Pinho, a proposta teria a capacidade de tirar o tráfego de trens da região metropolitana do Rio de Janeiro, o que viabilizaria um corredor logístico de carga geral entre São Paulo e o Espírito Santo, que tem tráfego de mais de 10 milhões de toneladas ano.

“A ideia é ligar São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Hoje não temos recursos para isso, mas vamos fazendo pouco a pouco”, disse o secretário, que afirma que esse momento será crucial para o futuro do estado. “É o momento mais importante em 30 anos para a infraestrutura do estado, o que vai definir nosso futuro. Temos que fazer o investimento no que é estrutural.”

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