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Gestão & Reputação: Governança da comunicação é trilha importante nas empresas

Agnaldo Brito*

A organização da comunicação no ambiente corporativo pode transformá-la em uma ferramenta potente para várias áreas da companhia – eis um desafio para o qual as grandes companhias devem sempre olhar. Considerando as dimensões das grandes empresas de infraestrutura e de indústrias de base (embora o princípio aqui descrito sirva para todas), o papel da comunicação tem assumido funções cada vez mais relevantes. Se na perspectiva da moderna gestão das empresas não se pode ignorar os modelos de governança de gestão, cabe dizer também que convém ter a perspectiva de uma “governança da comunicação” dentro das empresas. São processos que irão apoiar a construção de alicerces para o fomento da imagem e da reputação da companhia – o que significa dizer que será possível construir muitas fortalezas.

Os mapas de stakeholders primários e secundários – que em muitos casos já estão identificados e descritos nos softwares de gestão de relacionamento das empresas – oferecem às companhias uma rede dos públicos de interesse com os mais variados tipos de demanda. E pensando nesse cipoal de desafios aos quais as empresas estão envolvidas, como não considerar o papel da comunicação – em um modelo de organização desta que seja capaz de oferecer argumentos, histórias, dados e informações que vão dia após dia dissolvendo esse emaranhado de relações, dando ordem a tudo e, sobretudo, dando um rumo para um diálogo mais potente e construtivo. Tudo isso pode parecer muita teoria, mas não é. Em verdade envolve organização e uma boa dose de bom senso.

A área de comunicação continuará a ser um instrumento que apoiará as demais diretorias e divisões naqueles objetivos comunicacionais necessários à execução do plano de relacionamento e gestão dos stakeholders. O desenho estratégico de cada ação pode ser apoiado pelos profissionais de comunicação em parceria com as outras áreas da companhia. Esse processo de troca e de construção será sempre conjunto e articulado pelo comando da empresa à luz das estratégias que forem definidas. A construção de uma Governança da Comunicação dentro das empresas criará a dinâmica de diálogos transversais dentro da organização, o que será sempre capaz de gerar inovações que jamais foram pensadas – e em consequência, a construção de soluções que de outra forma nunca seriam sugeridas ou viabilizadas.

Essa nova abordagem da comunicação está absolutamente alinhada com uma visão moderna e criativa da comunicação e das demais áreas. As possibilidades de inovação e construção criativa são imensas, mas irão requerer sempre uma mudança cultural importante – de dentro para fora. Explicando de forma mais visual (apenas para apoiar no entendimento do processo), estamos falando da construção de uma comunicação que apoia o negócio, ajuda a identificar desafios e colabora com a construção de um diálogo e das soluções – independentemente da área da companhia. Em certo sentido, a comunicação ganha maior protagonismo.

Isso porque, invariavelmente, estamos sempre falando de uma frente (a comunicação) atuando de forma responsiva e diligente, mas de certa maneira quase sempre na posição reativa – agindo quando provocada. A criação de uma governança da comunicação tem, nesta perspectiva, uma ousadia maior, uma proposta ligeiramente mais participativa e proativa. E por quê? Porque apoiará a construção de soluções para temas delicados do management, das áreas-chave de negócio, entre outras funções para a busca de alinhamentos internos que serão úteis para a exposição qualificada da companhia. Não se trata, convém ponderar, que todos os problemas de uma organização serão entregues para a área de comunicação e, por conseguinte, ela estará responsável por resolvê-los, mas se trata de incorporar elementos da comunicação para a construção e encaminhamento de soluções para temas que exigem diligência.

Não estamos falando de uma mudança radical, mas de processos de gestão que são dominados e já ocorrem dentro das organizações. O passo sugerido aqui é apenas o de integrar a área de comunicação como apoio na construção de um diálogo mais fluido e eficiente. A governança da comunicação é uma chave que abre novos caminhos, uma trilha para o desenvolvimento qualificado da companhia.

*Agnaldo Brito é diretor de Comunicação em Infraestrutura na LLYC (LLORENTE Y CUENCA), consultoria global de gestão da reputação, presente em 13 países.

As opiniões dos autores não refletem necessariamente o pensamento da Agência iNFRA, sendo de total responsabilidade do autor as informações, juízos de valor e conceitos descritos no texto.

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