Geraldo Alckmin enaltece atuação dos governos Lula e Dilma na infraestrutura e fala em aperfeiçoamento da democracia

Geraldo Alckmin enaltece atuação dos governos Lula e Dilma na infraestrutura e fala em aperfeiçoamento da democracia

5 de setembro de 2022

da Agência iNFRA

O investimento público e o papel da indústria no fortalecimento da economia foram alguns dos temas trazidos por Geraldo Alckmin, em 29 de agosto, durante o Abdib Fórum 2022 – Agenda da Infraestrutura com Presidenciáveis, em São Paulo (SP). O candidato à vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT (Partido dos Trabalhadores), representou a candidatura no evento e falou sobre os valores que considera cruciais para a retomada do emprego e renda.

Alckmin reforçou a preocupação do governo com os modais de transportes e a ampliação e recuperação de rodovias, que para ele representam questões de segurança e saúde pública. Mencionou também a necessidade de desenvolver projeto em hidrovias e aerovias.

O candidato a vice defendeu que, além de investimentos, as concessões e PPPs (parcerias público-privadas) são possibilidades estratégicas essenciais para o desenvolvimento, e afirmou que o modelo de concessões de infraestrutura dos governos Lula e Dilma, cujos leilões seguiam os critério de menor tarifa e maior investimento, foi melhor que aquele de concessões onerosas feitas no governo de Mário Covas, em São Paulo, do qual foi vice.

Geraldo Alckmin também apontou a importância de um “aprimoramento do processo democrático brasileiro” para o fortalecimento da economia, da competitividade e de investimentos no setor de infraestrutura. “Se tiver segurança jurídica, vai ter investimento. […] Com investimento, o país cresce e a inflação cai, assim como a taxa de juros”, disse.

Investimentos públicos e privados
Alckmin defendeu a necessidade da iniciativa pública em conjunto com a iniciativa privada para avançar a agenda de infraestrutura e logística no país. “[Elas] se complementam. É uma boa sinergia”, pontuou.

O ex-governador afirmou que a iniciativa privada está convidada e convocada para agir em prol dos grandes objetivos da infraestrutura e logística, dando como exemplo a Ferrogrão, projeto ferroviário que liga o Mato Grosso ao Pará.

O representante da campanha de Lula destacou também o papel de bons modelos, citando as concessões e, no caso das PPPs, de um fundo garantidor que ajude a dar mais garantia aos financiamentos. Disse ainda que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e bancos internacionais de fomento podem ter um grande papel como investidores nas PPPs.

Privatizações
Alckmin acredita que o caminho não seja vender as empresas, mas sim trazer a iniciativa privada como parceira destas, e recuperar o investimento público. O candidato a vice disse não estar entre as prioridades do programa de Lula a privatização de nenhuma grande estatal, citando Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Citou ainda não haver no programa da candidtura menção à reestatização da Eletrobras.

Caso vença as eleições, o governo pretende trabalhar em uma relação respeitosa com o Legislativo para a execução de projetos de infraestrutura. O candidato criticou severamente o orçamento secreto do governo de Jair Bolsonaro, chamando-o de “excrescência”. Ele também apontou a falta de planejamento no país que faz “investimentozinho picotado”.

Reforma tributária
“O lado bom do presidencialismo é a força da urna, do voto direto”, destacou o candidato ao afirmar que as reformas tributárias devem ser feitas nos primeiros seis meses de governo, especialmente aquelas que demandem emendas constitucionais.

Ele acredita que as PECs (Propostas de Emenda à Constituição) 45 e 110 estão maduras para serem votadas, e que a força dos votos do eleito permitirá que se aprovem rapidamente esses projetos. Segundo ele, essas reformas têm o potencial de impulsionar o PIB do país, simplificando os impostos.

Para o custo de capital alto e a desproporcionalidade dos juros no Brasil em relação aos demais países, Alckmin propôs tirar impostos de operações financeiras e aumentar a concorrência econômica. Além disso, ressaltou a importância de reforçar acordos internacionais, visto que o Brasil está isolado economicamente após a pandemia de Covid-19.

Meio ambiente
Alckmin abordou o tema ambiental chamando atenção para a gravidade da questão do desmatamento, que, segundo ele, se brecado, resolve metade do problema das emissões de carbono. Acrescentou ainda que o problema não é apenas produto dos grandes agricultores, mas da grilagem de terra e, por isso, a bandeira que o governo levanta é a do “desmatamento ilegal zero”. De acordo com ele, a questão é central e a fiscalização deve ser rigorosa.

Indústria
Sobre a retomada do papel da indústria na economia brasileira e sobre como evitar a desindustrialização precoce no país, o ex-governador afirmou que um conceito importante será o princípio da precaução na globalização. Ele ressaltou novamente a importância da reforma tributária nesse processo e do desenvolvimento da ciência, inovação e tecnologia.

“A indústria agrega valor, paga salário mais alto. É evidente que ela é central”, declarou. O candidato finalizou afirmando que não há uma “bala de prata” para fazer o processo de reindustrialização do país, mas que é preciso um conjunto de políticas públicas e investimentos em vários setores para que funcione.