Furnas e Cemig terão prejuízos com o rompimento da barragem da Vale

Furnas e Cemig terão prejuízos com o rompimento da barragem da Vale

1 de fevereiro de 2019
Leila Coimbra, da Agência iNFRA

A geração de energia da usina hidrelétrica de Retiro Baixo, no Rio Paraopeba, será totalmente paralisada para reter a onda de lama que vazou após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), na última sexta-feira (25).

A Retiro Baixo Energética, que tem como principais sócios Furnas e Cemig, informou na segunda (28) que interromperá completamente a produção de energia da hidrelétrica para proteger seus equipamentos, já que a lama com rejeitos pode prejudicar as turbinas elétricas.

Além de não poder gerar energia, a usina também não poderá abrir seu vertedouro, para segurar o vazamento de lama, impedindo que os rejeitos cheguem ao Rio São Francisco, do qual o Rio Paraopeba é afluente. Com isso, a Retiro Baixo, que tem capacidade instalada de 82 MW (megawatts), deverá ficar totalmente inoperante por tempo indeterminado, causando prejuízo para seus controladores.

Monitoramento
Na segunda-feira (28), a ANA (Agência Nacional de Águas) e o CPRM (Serviço Geológico do Brasil) lançaram um sistema de monitoramento diário do Rio Paraopeba, com boletins às 11h e às 17h, todos os dias.

Segundo o último boletim divulgado, o vazamento chegará a Retiro Baixo entre os dias 5 e 10 de fevereiro. Caso o reservatório da hidrelétrica não seja suficiente para conter a lama, ela poderá desaguar no Rio São Francisco entre os dias 15 e 20 de fevereiro, chegando ao lago da usina de Três Marias, da Cemig.

ANEEL
Na segunda, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) enviou ofício à Retiro Baixo Energética solicitando relatório sobre a capacidade da usina de suportar os rejeitos.

Segundo a agência reguladora, a barragem de Retiro Baixo foi uma das 122 estruturas fiscalizadas in loco pela ANEEL entre 2016 e 2018, e está em boas condições. A usina foi visitada pelos técnicos da agência em agosto do ano passado.

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