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Estudo de modelo otimizado de infraestrutura indica redução de 28% nos custos logísticos no Mato Grosso

Jenifer Ribeiro, da Agência iNFRA

Utilizar uma rota otimizada pode diminuir em 28% os custos de transportes de grãos, como soja e milho, no Mato Grosso, de acordo com o estudo OtimizaInfra, realizado pelo Instituto de Geociências da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Esse modelo faz uma simulação a fim de traçar a rota de menor custo de transporte entre os municípios produtores e os pontos de destino, tanto dentro do país quanto de cargas para exportação. O endereço eletrônico apresentando o trabalho está neste link.

Segundo o professor da UFMG, Britaldo Soares Filho, que coordena uma equipe que trabalha no projeto, “hoje no Brasil há uma lógica de cargas de grãos que é uma lógica distribuída. Cada empresa manda [a carga] para algum lugar, mesmo que não seja a rota de menor custo. Então, você tem um grão sendo produzido em São Paulo que chega a ser embarcado no porto de Porto Velho [RO]”.

No entanto, o estudo mostra que essa lógica pode mudar se houver investimento em infraestrutura portuária, “de forma que o porto que estiver mais próximo da produção receba aquela carga – o que a gente chama de modelo otimizado”. Soares Filho afirma ainda que o Mato Grosso é o foco da pesquisa. 

“É a maior região produtora do Brasil e está mais afastada dos portos”, disse o pesquisador, explicando que, por isso, “é a mais impactada pela redução do custo de transporte”.

Ele explicou ainda que no restante do país essa porcentagem “varia muito porque tem região que está bem servida de infraestrutura”. O professor destaca também que “é preciso investir em armazenamento dos grãos e sobretudo em infraestrutura portuária” para reduzir os custos. Se o porto não tiver capacidade de comportar a movimentação dessas empresas, não será possível viabilizar o modelo otimizado, segundo ele.  

Projetos inviabilizados 
O estudo avaliou o plano logístico de malhas de ferro como a Ferrogrão, a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste), a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) e o projeto Norte-Sul da Rumo.

O professor destaca que “se todas essas propostas de fato forem levadas a cabo, uma vai acabar inviabilizando a outra, porque vai haver uma concorrência pelas cargas”. Isso porque uma empresa pode acabar “roubando” carga da outra.

“Tem uma região do Mato Grosso que está sendo alvo de competição tanto da Ferrogrão quanto da Rumo e da Fiol. Essa região produz atualmente mais de 20 milhões de toneladas de grãos e isso representa quase metade da carga prevista da Ferrogrão”, disse.

Soares Filho explicou: “Se você favorece a Rumo, está subtraindo metade da carga esperada da Ferrogrão. Então, a Rumo inviabiliza a Ferrogrão. Da mesma forma que a Ferrogrão vai tirar carga da BR-163. Ou seja, todo aquele investimento feito para pavimentar a BR-163 vai, de certa forma, não mais servir como corredor de exportação”.

Em 2020, o governo federal entregou os 51 quilômetros finais de asfalto na BR-163, deixando totalmente pavimentada a ligação entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), que teve obras para iniciar sua implantação nos anos 1970. Os terminais portuários em Miritituba tornaram-se, após o asfaltamento, dos principais portos para o escoamento de granéis agrícolas do país. O Ministério da Infraestrutura afirma que, com o asfaltamento, houve redução dos fretes de grãos em Mato Grosso, que se refletiram em todo o país.

OtimizaInfra
O objetivo da plataforma OtimizaInfra é “investigar o potencial retorno, ou seja, qual é o benefício, o custo e além disso avaliar as possíveis externalidades socioambientais que não são contabilizadas nos projetos de infraestrutura”, contou Soares Filho.

Para isso, o projeto calcula “a rota entre cada matriz. Essa matriz mais complexa foi desenvolvida pela EPL (Empresa de Planejamento e Logística) e a gente usou também a matriz da Trace, que é uma organização que estuda toda essa questão de exportação agrícola. Inicialmente nós fizemos para o milho e a soja, que são os principais produtos agrícolas que envolvem grandes volumes de exportação brasileira”.

O professor também explicou que vários cenários são analisados, mas o foco são projetos de infraestrutura ferroviários. No entanto, as mais recentes autorizações ferroviárias ainda não foram estudadas.

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