Empresas nacionais e estrangeira apresentam ao governo intenção de disputar o STS10, em Santos

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

Um grupo de empresas, com companhias nacionais e uma estrangeira, comunicou a integrantes do Ministério da Infraestrutura, na semana passada, que vai entrar na disputa pelo STS10, o novo terminal de contêineres no porto de Santos (SP), cuja licitação está em audiência pública até o fim deste mês.

O grupo é formado pela Lopex, Eurogate, maior operador portuário de contêiner da Europa, e pelo BTG Pactual, banco que já opera na área de investimentos em infraestrutura. Lopex, Eurogate e BTG Pactual já são sócios na Contrail, empresa de operação de logística com atuação no Brasil. Mas não operam terminais portuários.

Dirigentes e sócios das empresas circularam em Brasília apresentando o plano para integrantes da pasta. Informaram que, para a disputa, o BTG Pactual deverá entrar com um novo fundo de infraestrutura que o banco acabou de levantar.

A Lopex pertence ao empresário Guilherme Quintella. A Eurogate informa em sua página que movimentou nas 12 instalações que controla ou tem sociedade pelo mundo 11 milhões de TEUs de contêineres no ano de 2020.

Entre os terminais que ela controla diretamente estão os de Bremen e Hamburgo, na Alemanha. A empresa tem terminais em que é sócia de três grandes armadores mundiais de contêineres, a MSC, a Maersk e a Hapag-Lloyd.

Maior terminal
O STS10 está projetado para ser o maior terminal de contêineres de Santos, com capacidade para movimentar pouco mais de 2 milhões de TEUs ao ano, aumentando em quase 50% a capacidade atual do porto.

A área é contígua ao terminal BTP (Brasil Terminal Portuário), que é uma sociedade entre empresas controladas pela MSC e pela Maersk (TiL e APM Terminals, respectivamente) e por isso é chamado de verticalizado. 

Santos tem outros dois grandes terminais de contêineres, o Santos Brasil e o DPWorld, que não têm armadores em seu grupo de controle e por isso são chamados de bandeira branca.

Por causa de riscos concorrenciais de concentração de mercado [reportagem abaixo], a licitação do STS10 está sendo conduzida com análises concorrenciais por parte do Ministério da Infraestrutura e da Economia, que estão divergentes no momento. 

O MInfra defende que impedir um consórcio entre empresas do grupo MSC e Maersk seria o suficiente para garantir concorrência entre os terminais portuários de Santos e a competição no leilão. Elas e suas controladas poderiam disputar individualmente.

A Economia defende que as restrições devem ser maiores, impedindo até mesmo a participação isolada desses grupos ou de outros, com a necessidade de análise para quem tem mais de 30% de share de mercado, seja na operação portuária, seja no transporte de contêineres (em mar ou terra).

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