Emissão de ações da Eletrobras deverá ocorrer a partir de 15 de novembro, diz presidente

Emissão de ações da Eletrobras deverá ocorrer a partir de 15 de novembro, diz presidente

24 de março de 2018
Leila Coimbra, da Agência iNFRA

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, disse que acredita que o processo de emissão de ações da companhia, que resultará na diluição da participação da União para a faixa de 40%, ocorrerá a partir de 15 de novembro.

“Publicaremos o balanço do terceiro trimestre da empresa no dia 15 de novembro, e a partir daí faremos a emissão”, disse Ferreira Jr. à Agência iNFRA.

Essa é uma segunda “janela de oportunidade” com a qual o presidente da Eletrobras trabalha para a operação de desestatização. A primeira seria no período de 15 de agosto a 15 de novembro, quando a emissão seria feita com base nos dados contábeis do segundo trimestre.

Mas o período ficaria muito apertado, na opinião do executivo. “Nós teríamos que fazer todas as assembleias [do conselho da empresa] em setembro, e há ainda o tempo dos road shows, das diligências dos bancos e dos advogados, e usando os dados do segundo trimestre. É pouco tempo. Na minha opinião é até possível, mas improvável”, disse.

Para ele, fazer uma emissão a partir do dia 15 de novembro (data de divulgação do balanço), com os dados terceiro trimestre é mais factível. E, passado o período eleitoral, seria até mais fácil. “Todas as empresas que estão programando emissões [financeiras] para o segundo semestre farão isso após as eleições”.

“Processo leva seis meses”
Segundo Ferreira, além da votação do projeto de lei no Congresso Nacional, é preciso que se tenha um conjunto de ações paralelas para providenciar a privatização da empresa. Esses dois processos ocorrerão simultaneamente e levarão cerca de seis meses, a partir de agora, para serem concluídos, na visão do executivo.

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“São três medidas principais, fora a parte legislativa: 1) a Cisão da Eletronuclear e Itaipu; 2) os waivers dos financiamentos, que têm como garantias recebíveis de empresas que serão cindidas, como Itaipu; e 3) melhoramentos estatutários, para que se reconheça a figura de uma corporação na Eletrobras”.

“Eu acredito que que esse processo leva seis meses. Sempre acreditei nisso.  Mas o que acontece agora é que gente não consegue terminar em junho, julho como imaginava, vai terminar em agosto setembro. Aí fica apertado fazer nessa janela de 15 de agosto a 15 de novembro. Nessa segunda janela, a partir de novembro, é mais factível”.

Cisão de Itaipu
Um dos desafios do processo, segundo Ferreira, será a cisão da usina binacional de Itaipu. A empresa vende em dólar sua energia, conforme determinação do tratado entre Brasil e Paraguai, para o pagamento de sua dívida de construção, também em dólar.

Mas os recebíveis futuros de venda dessa energia, dolarizados, foram dados como garantias de empréstimos feitos pela Eletrobras, que é a responsável pela comercialização da produção da usina.

“Os únicos recebíveis em dólar que temos é Itaipu, e vamos cindir Itaipu. Precisaremos negociar e oferecer outro tipo de garantia”. Ferreira Jr. não quis dizer quais seriam essas garantias. “Eu ainda não ofereci nada. Nós não podemos fazer isso antes da cisão da companhia”.