Coronavírus impactará consumo de energia e calendário de leilões pode mudar, diz ministro

Coronavírus impactará consumo de energia e calendário de leilões pode mudar, diz ministro

17 de março de 2020
Leila Coimbra e Guilherme Mendes, da Agência iNFRA

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que vem monitorando o impacto do coronavírus sobre a demanda energética brasileira, e que prepara junto com os órgãos competentes medidas de contingência, se necessárias. “O país não pode parar, e a gente tem de ter planos contingentes. Evitar situações como a da Itália, que está num verdadeiro shut down”, disse o ministro em entrevista à Agência iNFRA.

Bento não descarta mudanças no calendário de leilões caso o consumo de energia caia: “Pode ser que mude, a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) já está trabalhando nisso, junto com o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico)”. Hoje, os leilões são calculados com base na demanda das distribuidoras, e a atual agenda prevê dois certames anuais nos próximos três anos.

“É algo que estamos todos preocupados [com o coronavírus]. Já estamos aqui há duas semanas, pelo menos, trabalhando no ministério e nos preparando para isso, junto com as três agências reguladoras [ANEEL, ANP E ANM], também com Eletrobras, Petrobras e o setor como um todo. Estamos vendo o contexto, o Operador Nacional do Sistema, e todas as coisas relacionadas”, informou o ministro.

Plano decenal
Segundo o almirante, o PDE (Plano Decenal de Energia), feito anualmente, já analisa o impacto do vírus e as suas consequências no cenário energético nacional nos próximos anos.

“Evidentemente que irá impactar, e é isto que estamos avaliando, não só o ano de 2020, mas também nossas projeções, dependendo das consequências, para 2021 ou 2022.”

“Não estamos reativos, mas procurando ser proativos, para que possamos adotar medidas. Não medidas emergenciais, mas tomadas com critério e fruto de avaliações”, explicou Bento.

Preços do petróleo
O ministro disse que o governo vem monitorando os preços do petróleo e seus derivados, e os impactos no mercado nacional e na Petrobras. “Para determinadas questões, a queda dos preços é ruim, mas para outras é positiva. Por exemplo: tem bancos e consultorias dizendo que para o desinvestimento da Petrobras em refino, é positivo.”

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De acordo com o comandante da pasta de Minas e Energia, preços mais baixos do gás natural e do GNL também favorecem investimentos em projetos de geração termelétrica no Brasil.

“A sinalização que nós temos do mercado, e da própria questão do GNL, que estava em condições favoráveis no mercado internacional, é que se viu neste novo mercado do gás uma oportunidade. Agora, em nossa avaliação, ele se torna mais atrativo, em função dos custos.”

“E teremos mesmo de substituir as térmicas. Trocar do diesel para uma commodity que está com um valor bastante atrativo, para mim, é algo muito positivo. Estamos avaliando todos os leilões, mas este mais próximo [A-4 e A-5, de geração térmica, em 30 de abril] tem tudo para ser exitoso.”

Cessão onerosa
Do ponto de vista negativo, o ministro citou o fato de que o preço baixo do petróleo no mercado internacional pode ser ruim para a atratividade dos leilões de petróleo.

“Particularmente, acho que aquilo que realizamos ano passado se torna mais relevante ainda. Imagina se tivéssemos que realizar o leilão da cessão onerosa em 2020, com esse cenário? Não ia sair nada, ia estar vazio. Quando analisamos o preço de referência naquela ocasião, estava US$ 72 para a cessão onerosa.”

“O sucesso dos leilões no ano passado, tanto da 16ª rodada quanto da 6ª rodada, oferta permanente… foram arrecadados R$ 84 bilhões, que foram importantes inclusive para dar um certo ‘refresco’ para estados e municípios”, concluiu o ministro.