COP26 deve reforçar investimentos em renováveis

COP26 deve reforçar investimentos em renováveis

29 de outubro de 2021

Roberto Rockmann, colunista da Agência iNFRA*

A COP26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima), em Glasgow, na Escócia, que ocorrerá de 31 de outubro a 12 de novembro de 2021, deverá reforçar o papel do Brasil no cenário energético mundial. Isso já está fazendo o Instituto Totum, emissor local dos I-Recs (certificados de energia renovável), antecipar diversas ações, o que indica alguns sinais para o mercado das fontes limpas no Brasil.

A expectativa é de que os países acertem, definitivamente, na reunião, a criação de um mercado de crédito global de carbono. Isso dará uma vantagem ainda maior para o Brasil. Cada REC equivale a 1 MWh de geração renovável injetada no sistema elétrico.

Sem o consumo de renováveis, as empresas “gravam” em sua pegada de carbono cerca de 100 kg de CO2 (dióxido de carbono), um dos gases de efeito estufa, a cada 1 MWh usado no Brasil. Na Europa, por conta da matriz muito mais poluente, esse valor é cinco ou seis vezes maior. Isso levará a multinacionais investir cada vez mais no Brasil para reduzir sua pegada de carbono, seja com renováveis, seja de olho no futuro com o hidrogênio verde.

“Já vemos empresas colocando seus produtos no mercado com o selo de que foram feitos com energia renovável e estamos fechando com um banco que está adquirindo certificados de uso de energia renovável em todas as suas agências”, diz Fernando Lopes, diretor do Instituto Totum.

O Instituto Totum já está trabalhando para a criação de uma subsidiária que ficará responsável pela emissão dos certificados no Brasil. Hoje uma parte do trabalho é feita na Europa. Com a estrutura no Brasil, o custo pode cair entre 30% e 40%. Também está se trabalhando na emissão dos pioneiros I-Recs horários, que já poderão estar disponíveis nos próximos meses. Outra novidade serão os certificados de gás renovável, com foco em biogás e biometano, o que poderá atrair grandes empresas da área de gás natural que tenham interesse em reduzir suas emissões.

Leia também:  iNFRADebate: Os desafios do setor de infraestrutura no pós-pandemia

O Instituto Totum ainda está trabalhando para se tornar certificador independente de green bonds, os títulos verdes que estão atrelados a metas ambientais. Com a expansão do mercado de energia renovável, espera-se também que esses papéis tenham um forte crescimento no Brasil. Lopes viaja no fim de novembro para a Europa. Um dos assuntos em pauta será a criação de certificados voltados ao hidrogênio verde, um outro nicho que deve ganhar espaço no Brasil.

*Roberto Rockmann é escritor e jornalista. Coautor do livro “Curto-Circuito, quando o Brasil quase ficou às escuras” e produtor do podcast quinzenal “Giro Energia” sobre o setor elétrico. Organizou em 2018 o livro de 20 anos do mercado livre de energia elétrica, editado pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), além de vários outros livros e trabalhos premiados.
As opiniões dos autores não refletem necessariamente o pensamento da Agência iNFRA, sendo de total responsabilidade do autor as informações, juízos de valor e conceitos descritos no texto.