Conexão direta de hidrelétricas na rede de distribuição do Amapá está em estudo, diz ANEEL

Conexão direta de hidrelétricas na rede de distribuição do Amapá está em estudo, diz ANEEL

20 de novembro de 2020

  Leila Coimbra, da Agência iNFRA

O diretor-geral da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, disse na última terça-feira (17) que existem estudos avaliando a possibilidade de ligação de duas hidrelétricas – Cachoeira Caldeirão e Ferreira Gomes – diretamente na rede da distribuidora CEA como forma de dar mais segurança ao sistema elétrico do Amapá.

As duas usinas ficam no estado atingido pelo apagão, mas a sua geração é escoada em linha de alta tensão de 230 kV e vai para o sistema interligado nacional, sem passar pela rede local. Para a conexão no sistema de distribuição da CEA, seria necessária a construção de uma subestação que convertesse a alta tensão para uma mais baixa, de 69 kV.

Cachoeira Caldeirão tem capacidade de produção de 219 MW (megawatts) e é de propriedade da EDP. Já Ferreira Gomes, de 252 MW, é da Alupar. Ambas usinas ficam no Rio Araguari. O consumo total do Amapá é de cerca de 240 MW.

“Se a energia pudesse ser injetada na rede da CEA, com uma outra subestação, o estado não estaria vivenciando essa situação. É uma aprimoração que precisamos fazer do planejamento”, disse o diretor-geral da ANEEL em audiência pública no Senado para discutir o apagão que assola o Amapá desde o dia 3 de novembro.

Atualmente, apenas a usina de Coaracy Nunes é ligada diretamente na rede de distribuição local, mas, segundo Pepitone, a hidrelétrica não aumentou imediatamente sua geração, como deveria, quando houve o problema com a linha de transmissão que causou o blecaute.

“Quando houve o incidente, a usina de Coaracy Nunes não entrou de imediato respondendo no sistema. Houve um atraso na sua geração e isso está sendo apurado pela agência”, informou.

Custos de geração
Hoje, parte do abastecimento no Amapá está sendo feito por geração térmica a óleo, de forma emergencial, até um limite de 150 MW, por um prazo de até 180 dias. Já foram contratados 120 MW, da estatal Eletronorte. Normalmente esse tipo de produção de energia é a mais cara existente. 

Pepitone disse que os estudos para garantir a segurança energética do estado estão levando em consideração os menores custos.

“Isso já está em estudo. A melhor forma, e a menos onerosa, porque tudo tem um custo. A segurança também tem um custo, então temos que ver o que é menos oneroso para o consumidor.”

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Diretoria afastada
O juiz federal João Bosco, da 2ª Vara Federal no Amapá, decidiu, nesta quinta-feira (19), pelo afastamento da diretoria da ANEEL e do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) pelo período de 30 dias. A medida, segundo a decisão, foi tomada para evitar eventual interferência que possa atrapalhar as investigações sobre o apagão no estado. Os dois órgãos afirmaram que vão recorrer da decisão.