Condições de suprimento de energia se deterioraram, diz PSR

Condições de suprimento de energia se deterioraram, diz PSR

5 de agosto de 2021

Leila Coimbra, da Agência iNFRA

A consultoria PSR atualizou as análises de risco sobre a possibilidade de racionamento de energia neste início de agosto e concluiu que houve “uma deterioração significativa das condições de suprimento em relação às apresentadas no mês passado”.

Se nenhuma medida for tomada pelas autoridades, o consumo continuar alto e não ocorrer flexibilização adicional da operação nem oferta adicional de energia, os riscos de racionamento aumentam para 40%, ante estimativa feita no mês passado de 29%.

Neste cenário, a necessidade de corte médio da carga seria de 6,8% de setembro a dezembro. Os dados fazem parte do relatório Energy Report, enviado pela consultoria aos seus clientes.

“Houve uma deterioração do cenário, e o risco de racionamento de energia ainda em 2021 é bastante significativo se ocorrer um crescimento de demanda da ordem de 9% no segundo semestre, mas pode ser mitigado pela flexibilização dos usos múltiplos da água e a entrada de nova oferta a curto prazo”, disse à Agência iNFRA o CEO da PSR, Luiz Barroso.

Problemas na ponta
O relatório também mostra alto risco para suprimento na ponta caso o consumo se mantenha em crescimento: “Para o cenário de demanda mais alta, as análises detalhadas indicam que haveria problemas significativos de atendimento à potência”, informa o documento.

O presidente da empresa explica: “O risco de problemas potenciais de ponta, que é operar entrando na reserva, é bastante elevado, tanto no caso de demanda estimada pelo ONS [Operador Nacional do Sistema Elétrico] para o 2º semestre como para este crescimento maior. E não é adequadamente mitigada mesmo supondo que todas as ações de flexibilização dos usos múltiplos da água sejam tomadas e ocorra um aumento de 3,5 GW [gigawatts] de oferta”.

Segundo o executivo, esta operação “no limite” aumenta a vulnerabilidade do sistema, com indisponibilidades no tempo real e uma menor flexibilidade operativa das hidrelétricas, que é fundamental para essa gestão. “Ainda, para o cenário de demanda mais alta, as análises indicam que haveria problemas de atendimento à potência mesmo com as ações anteriores”, completa o presidente da PSR.

Restrições em grandes usinas
O Energy Report informa que as análises de suprimento apresentadas dependem da hipótese da ampla capacidade de modulação de potência das hidrelétricas com reservatórios. “As informações públicas sobre estas usinas não indicam que há restrições em sua flexibilidade operativa. No entanto, se essas restrições existirem para hidrelétricas de porte significativo, o risco de suprimento de potência pode ser maior do que o apresentado”, ressalva o texto.

Recomendações
Foram feitas as seguintes recomendações para mitigar a crise: 1) alternativas imediatas para redução do consumo nas horas de ponta, inclusive no ambiente de contratação regulada; 2) que o ONS se prepare, em termos de procedimentos operativos, recursos humanos e técnicos, para a gestão de operação com reduzida margem de reserva operativa; 3) contratação emergencial de geração, que poderia ser realizada em tranches de contratos de 2-4 anos para entrega contínua a partir dos próximos meses; 4) comunicação com a sociedade sobre a gravidade da crise de forma transparente e frequente.

Atualizações
O documento salienta ainda que no cenário energético mudanças podem ocorrer de forma contínua, e, por isso, “as análises apresentadas serão permanentemente atualizadas e podem melhorar ou piorar, dependendo da evolução futura da hidrologia, do crescimento da demanda e dos resultados das diversas medidas já implementadas pelo governo para a gestão da crise”.