Concessionárias de rodovias poderão apresentar inadimplência nos próximos dois meses, diz ABCR

Concessionárias de rodovias poderão apresentar inadimplência nos próximos dois meses, diz ABCR

21 de maio de 2020
Tales Silveira, da Agência iNFRA

 Sem um socorro, nos próximos dois meses, concessionárias do setor rodoviário apresentarão inadimplências contratuais voltadas a investimentos, manutenção e atendimentos nos trechos concedidos. Foi o que afirmou o presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, César Borges.

“Atualmente, as empresas estão comendo o próprio caixa, o que está fazendo com que descapitalizem. Se não chegar um socorro, nos próximos dois a três meses, algumas empresas já não conseguirão cumprir suas cláusulas contratuais ou regulatórias”, disse Borges à Agência iNFRA.

Para se ter ideia, o índice ABCR do mês de abril registrou queda de 43,8% em relação a igual período de 2019. É a maior queda registrada na história do cálculo. Os dados ainda mostram que o fluxo nos pedágios de veículos leves registrou diminuição de 51,5%, enquanto o fluxo de veículos pesados caiu 20,5%.

“Se você considerar uma média ponderada entre as duas, a perda de receita fica em torno de 30%. Isso representa, para o setor, algo em torno de R$ 500 milhões por mês. Pelo que temos levantado, o mês de maio terá a mesma queda, ou seja, estabilizaremos na baixa”, explicou o presidente.

Para Borges, atrelado ao fato de que a área continuará apresentando baixas, o setor rodoviário, diferentemente dos outros setores, não está tendo reduções em suas obrigações contratuais.

“Eu aplaudo medidas de incentivo dadas ao setor aéreo. O problema é que no setor rodoviário fica esse discurso de analisar caso a caso. No nosso setor não houve medidas para fazer diferimentos. Pedimos flexibilização na regulação, como obrigação de pavimento, sinalização horizontal e vertical, atendimento ao usuário com o carro reboque e ambulância. Porém isso permaneceu”, explicou.

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Impacto nos leilões
O presidente da ABCR apontou ainda para o fato de que futuras concessões poderão ser impactadas pela descapitalização das concessionárias que, nos últimos três anos, foram os principais players nos leilões federais realizados no Brasil.

“As últimas três grandes concessões federais que foram feitas no Brasil foram ganhas pelos players que já estão aqui: 364/365 Eco, Via Sul e BR-101 pela CCR. Se querem fazer licitação de cinco trechos, acho que irão ficar dentre os mesmos que já estão aqui. Se eles estiverem descapitalizados, eles terão dificuldade de participar”, comentou.