Cia aérea da Itapemirim quer consolidar sinergia com rodoviário em carga e passageiro

Cia aérea da Itapemirim quer consolidar sinergia com rodoviário em carga e passageiro

25 de agosto de 2020

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

Cargas e passageiros que já viajam em uma empresa com quase 70 anos de história e que alcança 58% do território nacional são a base da mais nova companhia aérea do país, a Ita Transportes Aéreos, do grupo Itapemirim. 

A partir desta semana, a companhia entra em sua fase de contratação de 600 pessoas para iniciar as operações, com planos para voar ainda neste ano.

“A carga é um pilar do nosso negócio. Queremos ser uma empresa de pickup and delivery para levar do primeiro ponto de coleta até a última milha, com a capilaridade de quem está em 58% do território nacional”, afirmou Rodrigo Vilaça, CEO do Grupo Itapemirim.

A Itapemirim já foi uma da maiores companhias de transporte rodoviário de passageiros do país. Entrou em recuperação judicial a partir de 2017 e, segundo Vilaça, essa etapa está agora em fase final, classificada por ele como programa de estabilização.

Vilaça contou que o controlador da companhia, o empresário Sidnei Piva, esteve próximo de adquirir a Passaredo em 2017 e a ideia de ter uma companhia aérea não foi descartada. Neste ano, após visitas a empresários na Ásia, o projeto se fortaleceu e foi anunciado, pouco antes da declaração de que a Covid-19 era uma pandemia.

O que para as companhias existentes tem sido considerado o maior choque da história do setor, para a Ita Transportes Aéreos foi a oportunidade ideal, como explica o CEO contratado há 120 dias para iniciar a empresa, Tiago Senna.

Segundo ele, a Ita vai começar com 10 aeronaves, semelhante ao número com o qual as atuais companhias nacionais estão trabalhando hoje. Mas a Ita não tem os custos que essas empresas têm para manter suas atuais estruturas, montadas para o momento de pico da demanda, explicou o CEO. Além disso, segundo Senna, a pandemia proporcionou negociações melhores com fornecedores.

Senna disse que a Ita terá três hubs de operação (Guarulhos, em São Paulo, Galeão, no Rio de Janeiro, e Brasília), mas as rotas a partir deles ainda são segredos comerciais. Ele lembrou que, no planejamento inicial, a Ita seria uma companhia regional, mas que a pandemia abriu a oportunidade para que ela começasse nacional.

A intenção é seguir tendo capilaridade, com acordos com companhias menores e ou táxis aéreos, cujas regras agora estão mais flexíveis após mudanças na ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), que está permitindo venda de assentos nesse tipo de operação.

Além do compartilhamento com outras aéreas, a empresa também vai estimular a integração com seus passageiros do rodoviário. Segundo Vilaça, antes da Covid-19, a Itapemirim transportava 2,1 milhões de passageiros ao ano.

“Nossa intenção é ter, no conjunto rodoviário e aeroviário, 10 milhões de passageiros ao ano”, diz, referindo-se a quando houver retorno da demanda ao patamar pré-Covid-19, o que para ele só deve ocorrer em 2022. 

Transporte de carga fundamental
O serviço de carga é considerado fundamental na estratégia da nova companhia. A empresa que aproveitar sua capilaridade, com a frota de 228 ônibus em operação e outros 550 em reserva por causa da pandemia, para ter um forte serviço de entregas em todo o país.

As sinergias, segundo Vilaça, não vão parar entre os setores rodoviário e aéreo. Recentemente, Piva unificou várias companhias fornecedoras do setor ferroviário na T’Trans e iniciou concorrências para disputar concessões metroferroviárias.

Venceu a disputa pelo monotrilho da Linha 17 de São Paulo, mas a empresa foi desclassificada pelo governo e está em disputa judicial. Também está em disputa para o projeto de transporte de passageiros em Guarulhos entre o terminal e a estação de trem. A concessão das linhas 8 e 9 da CPTM é o próximo objetivo da empresa, segundo Vilaça.

Primeira nova aérea após abertura do mercado
No primeiro semestre de 2019, o governo federal conseguiu fazer uma mudança regulatória para permitir que as companhias nacionais pudessem ter estrangeiros como controladores. Houve grande expectativa de que novas empresas internacionais entrassem no país, mas não foi o que ocorreu. O país ficou restrito a três grandes empresas até a pandemia, após a falência da Avianca também em 2019.

A Ita será o primeiro player de grande porte a desafiar o mercado atual, restrito a três grandes companhias, Latam, Gol e Azul. Segundo Senna, as diferenças culturais do Brasil para outros países e uma estrutura mais cara de custos e complexa de impostos foram os responsáveis por ainda não termos tido estrangeiras aqui. Perguntado por que isso não afastaria as empresas nacionais, Senna afirmou:

“Somos brasileiros. Estamos aqui e conhecemos bem [os problemas]”.

Duas das barreiras de entrada que o setor aéreo tem apontado como inibidores de novas empresas, segundo Senna, não serão problema para a Ita. Segundo ele, não houve problemas com o fornecimento de combustíveis nos aeroportos e não está nos planos iniciais da empresa a utilização de aeroportos com restrição de slots, como Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ).

“Claro que todos querem voar nesses aeroportos que têm yield muito alto. Mas, no momento, não está na nossa estratégia”, afirmou o CEO da companhia.

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