Caminhoneiros ameaçam com piquetes empresas que estão contratando frota própria, diz associação

Caminhoneiros ameaçam com piquetes empresas que estão contratando frota própria, diz associação

29 de abril de 2019
da Agência iNFRA

Empresas que estão comprando frota própria de caminhões para transportes estão sendo pressionadas por caminhoneiros autônomos para que não usem os seus caminhões para transporte de seus produtos.

A informação foi dada pelo diretor da Acebra (Associação de Empresas Cerealistas do Brasil), Roberto Queiroga, na reunião realizada na última quarta-feira (24) da CTLog (Câmara Técnica de Logística) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Segundo ele, a situação dos caminhoneiros em relação à falta de carga está piorando por causa dessa prática das empresas para fugir dos custos da Tabela de Frete Rodoviário Mínimo. Por isso, estão aparecendo as pressões para que não seja usada a frota própria, inclusive com piquetes em frente aos locais de embarque dos produtos.

Queiroga reclamou que o governo está refém dos caminhoneiros autônomos e ele não acredita que as correções feitas na tabela de frete após o estudo da Esalq-USP, que estão em audiência pública pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), serão implementadas. Para ele, haverá novamente pressão dos caminhoneiros para que a tabela não seja reduzida, como se prevê com o novo estudo realizado.

Reajuste da tabela
Conforme a Agência iNFRA antecipou no dia 23 de abril, a ANTT revisou a tabela de frete em 4,13% em média após o aumento de 10,63% do valor do diesel após o último reajuste, como é previsto em lei. Para Queiroga, esse aumento vai piorar ainda mais o problema.

O diretor da ANUT (Associação Nacional dos Usuários de Transportes), Luiz Baldez, afirmou que além do governo não solucionar o problema, o STF (Supremo Tribunal Federal) não decide sobre a constitucionalidade da tabela, o que gera insegurança jurídica. Ele reclamou ainda que o governo não recebe as empresas donas de carga para tratar do tema.

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O representante da Conab na reunião afirmou que outro projeto que foi implantado após a greve dos caminhoneiros, a reserva de mercado no transporte dos estoques da estatal, não é executado porque cooperativas de caminhoneiros estão exigindo percentual para gerenciar a carga e que a maioria não cumpre os requisitos exigidos para o transporte.

“Menos de 1% do que foi reservado foi usado pelos autônomos”, lamentou.