Brasil ainda é visto como investimento de risco por mudanças em contratos de infraestrutura

Brasil ainda é visto como investimento de risco por mudanças em contratos de infraestrutura

17 de junho de 2019
da Agência iNFRA

Investidores internacionais no setor de infraestrutura ainda vêm o Brasil como um mercado para “profissionais” e temem entrar no país contra concorrentes que apostam em mudanças futuras de contrato para garantir a viabilidade de projetos.  Além disso, também será necessário aprovar a reforma da Previdência para evitar o risco de solvência do país para os projetos do setor.

As definições foram dadas por representantes das três agências do setor de transportes, que participaram de painel sobre investimentos no 1º Siart (Seminário Internacional de Agências Reguladoras de Transportes), realizado na última quarta-feira (12), em Brasília.

O debate que abriu o evento tratou sobre atração de investimentos. Diretores e gerentes das agências ANTT, ANTAQ e ANAC apontaram que, em suas apresentações ao redor do mundo, são cobrados por novos investidores sobre propostas agressivas de empresas nacionais que, durante a execução dos contratos, conseguem mudar as propostas para reequilibrá-los. O setor com mais reclamações é o de rodovias.

A visão foi corroborada por Felipe Vinagre, analista do setor de Infraestrutura do Credit Suisse, que apontou que essa é uma percepção de risco também informada por seus clientes. Segundo ele, por isso é importante passar a credibilidade de que o atual governo não vai tomar decisões que possam ser vistas como adequadas num curto prazo, mas que gerem no longo prazo o aumento da percepção de risco.

Vinagre afirmou também que o fato de o governo e as agências reguladoras terem nos últimos anos menos mudanças de nomes e as mesmas pessoas estarem cuidando dos principais processos gera uma melhor percepção em relação a esse risco.

“É trabalho de formiga. Perder credibilidade é fácil. Construir a reputação é que é difícil”, afirmou o analista, colocando ainda que há outros pontos a serem tratados pelo governo, especialmente na questão do financiamento de projetos greenfield.

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O analista contou que, em conversas com representantes da CCCC, empresa chinesa que adquiriu recentemente a brasileira Concremat, os responsáveis afirmaram que a companhia estrangeira está presente em mais de 40 países e, pela primeira vez, em um deles, não conseguiu financiar um projeto por meio do modelo de Project Finance.

“Esse é um grande desafio porque, para um projeto de R$ 10 bilhões, ninguém tem garantia corporativa”, afirmou Vinagre, citando a Ferrogrão.