ANTAQ terá avaliação mais sistemática sobre movimentação de contêineres vazios

ANTAQ terá avaliação mais sistemática sobre movimentação de contêineres vazios

18 de agosto de 2022

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

O diretor-geral da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), Eduardo Nery, disse que a agência está trabalhando na construção de um índice para avaliar a movimentação de contêineres vazios no país.

A informação foi dada durante a apresentação da diretoria de informações sobre a movimentação portuária no primeiro semestre do ano, que teve uma queda de 3,3% em relação ao mesmo período de 2021, com 581 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados na última segunda-feira (15). Acesse a apresentação completa neste link.

A agência atribuiu a queda principalmente aos problemas no semestre passado causados pelo fechamento de cidades chinesas em decorrência da Covid-19 e outras crises, como a invasão russa na Ucrânia.

O minério de ferro, que é o principal produto exportado em volume no país e tem a China como principal compradora, teve redução de volume de 6,4%. A exportação de soja também caiu 11,2%. Destaque para altas em celulose (27%) e fertilizantes (14%). Os dirigentes da agência explicaram que, mesmo com a queda, a balança comercial brasileira não foi afetada (teve crescimento no período) por causa do aumento de preços de várias commodities. 

Cabotagem
A redução dos volumes afetou também a cabotagem, que teve um crescimento no período um pouco abaixo da média dos últimos, quando cresceu a mais de dois dígitos. Dessa vez, os volumes aumentaram 2,9%. Colaborou para isso o BR do Mar ainda não estar regulamentado, na avaliação do diretor-geral.

No caso dos contêineres, houve queda na movimentação em 4,4%. O movimento de contêineres vazios em direção à China, 46% de todo o movimento do semestre para esse país, chamou a atenção da diretoria que pediu para que seja feita uma pesquisa por um tempo mais longo sobre esse tipo de movimentação.

A falta de contêineres vazios é um dos problemas causados no sistema de transporte de cargas por contêineres no mundo após a pandemia da Covid-19. Os clientes apresentaram diversas reclamações de mau atendimento por parte dos armadores o que levou a ANTAQ a abrir um grupo de trabalho para avaliar.

Sem contêineres vazios, os clientes costumam ter mais dificuldade para embarcar suas cargas, com os armadores exigindo que as devoluções sejam mais rápidas, o que aumenta o custo para quem se utiliza dessa forma de transporte.

Fernando Serra, gerente de estatística da agência, afirmou que a China estar levando mais contêineres vazios é uma tentativa de normalizar o mercado, visto ela ser a maior movimentadora desse tipo de carga.

O diretor-geral Eduardo Nery lembrou que, como o Brasil exporta mais que importa, há um desbalanço crônico e ter uma parte dos contêineres indo vazios é algo esperado. Mas, segundo ele, é preciso avaliar se o movimento do semestre passado está fora do padrão e as possíveis consequências.

Privatizações
Eduardo Nery afirmou que a agência trabalha para finalizar neste mês as audiências públicas sobre a desestatização do Porto de Santos (SP) e o arrendamento do novo terminal de contêineres do porto, o STS10. Ao fim dessa etapa, o processo começa a ser analisado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e, quando referendado, o governo pode lançar o edital.

A expectativa do ministério da Infraestrutura era mandar o processo do porto de Santos para o TCU nesta quinzena, com a esperaça de ainda publicar edital este ano. Nery disse que a diretriz da pasta é para que os dois processos de análise de contribuições das audiências públicas sigam sendo tocados ao mesmo tempo.

Ele afirmou ainda que acredita ser difícil que o STS10 seja licitado depois da concessão do porto a uma empresa privada porque vê com muita dificuldade essa companhia privada fazendo o arrendamento dessa área, que certamente terá análises de concentração de mercado, mesmo se for feito por um privado.