Velocidade Média de Transporte de Trem Não sai do Lugar

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

A Velocidade de Transporte das concessões ferroviárias no Brasil caiu levemente no ano passado, alcançando seu menor nível desde 2006, apontam dados do Anuário Estatístico da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). A média das velocidades de percurso de todas as ferrovias foi de 20,48 km/h, pouco menor que a média de 20,61 km/h do ano de 2016.

Já a Velocidade Comercial dos trens no país alcançou 15,42 km/h, número ligeiramente superior aos 15,13 km/h do ano anterior. Mas que mostra uma estagnação, já que não passa dos 16 km/h desde o ano de 2011. Na década passada, as velocidades tanto de percurso como a comercial eram cerca de 30% superiores.

A velocidade de percurso é contabilizada pelo tempo que o trem leva para percorrer entre uma estação e outra. Já a comercial, considera o tempo que o trem leva parado nas estações para carga, descarga e movimentação dos vagões.

Mesmo com a queda de velocidade, as ferrovias nacionais conseguiram aumentar o volume de carga transportado em 2017 em 6,9%, passando de 503 milhões de toneladas para 583 milhões. Somente a EFC (Estrada de Ferro de Carajás), da Vale, transportou 175 milhões de toneladas, puxada pelo aumento do transporte de minério de ferro, que subiu 5% no ano.

A velocidade média comercial em Carajás voltou a subir e alcançou 24,9 km/h, superior aos 24,1 km/h de 2016. A EFC está passando por uma ampliação de capacidade para que possa transportar 200 milhões de toneladas/ano. Nas outras malhas, as velocidades permanecem com poucas alterações, o que aponta para o esgotamento da capacidade dessas vias. Para que os trens voltem a andar mais rápido que uma bicicleta são necessários investimentos.

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ANTF
Em nota, a ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), que congrega as concessionárias de ferrovia do país, informa que algumas ferrovias estão aumentando o trem-tipo (trens com maior quantidade de vagões), o que diminui a velocidade, mas aumenta a produção, ou seja, a quantidade transportada. Lembra ainda que a quantidade de paradas para captar carga está aumentando e que o aumento da tonelagem por quilômetro útil transportada demonstra isso. A associação informa ainda que muitos trechos estão com ocupação superior a 80%.

“Com taxas tão altas e um tráfego tão intenso, tais trechos provocam uma inevitável redução da velocidade dos trens nas principais rotas”, informa a nota, lembrando que eles estão em processo de renovação para ampliação dos investimentos.


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