Tiplam faz contrato de 30 anos indicando para novo modelo de integração porto-ferrovia

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

Uma península de dois milhões de metros quadrados pouco utilizada no fundo do estuário da baía do porto de Santos (SP), com um canal de acesso assoreado e poluído, em menos de uma década, passa a ser o principal terminal portuário do país para a exportação de grãos.

Pode-se dizer que o investimento de R$ 4,5 bilhões entre obras no porto e no sistema ferroviário levaram a esse resultado. Mas o Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita), da VLI, parece ser um pouco mais: o mais provável modelo futuro de integração de ferrovias e portos do país.

O Tiplam é uma projeção do que a Vale, uma das controladoras da VLI, fez ao longo de décadas. A integração da ferrovia com outros sistemas para transportar e armazenar cargas do local de produção à entrada do navio. É, portanto, uma modelagem testada milhares de vezes, ao longo de décadas, na maior companhia exportadora do Brasil, transladada para o sistema de transporte de granéis agrícolas.

O contrato de 30 anos assinado na semana passada entre a VLI, dona do terminal, com a Tereos, segunda maior produtora de açúcar do mundo, aponta que o modelo vem sendo bem recebido pelas empresas que precisam transportar grandes volumes de carga. A empresa produtora de açúcar escolheu transportar por via férrea um milhão de toneladas por ano do produto para escoar pelo Tiplam.

Para isso, vai construir um terminal para armazenamento do seu produto em Guará (SP) enquanto a VLI vai ampliar sua área para armazenagem de açúcar no Tiplam, num investimento total de R$ 205 milhões.

Agência iNFRA visitou, a convite da VLI, as instalações do Tiplam em junho. Os cinco armazéns já prontos, mesmo num período de fim de safra de soja, ainda estavam cheios de produtos agrícolas. Por ano, é possível movimentar 5 milhões de toneladas de soja e milho e quase o mesmo volume de açúcar. O terminal também tem capacidade para movimentar fertilizantes (cerca de 5 milhões/ano).

Os produtos que chegam de trem são deixados numa moega automatizada que transporta, por meio de esteiras fechadas, os produtos até os armazéns. De lá, também por esteiras, os produtos vão até os navios. Os equipamentos novos tornam a produtividade do Tiplam a mais alta entre os terminais da região.

Pera Ferroviária
A automação do sistema interno é um diferencial. Mas é o sistema ferroviário que tem feito com que os produtos exportados pelo Tiplam tenham uma vantagem competitiva sobre os que seguem para outros terminais no Porto de Santos.

A diferença está na chamada pera ferroviária de 11 quilômetros construída ao redor de toda a península, o que torna a operação de descarga de trens mais veloz do que a dos outros terminais portuários. Com a pera, os trens podem chegar e sair sem que tenham que ser desmontados para ficarem menores e conseguirem fazer as curvas de retorno, o que a acontece nos outros terminais em Santos.

Com isso, a operação de um trem no Tiplam é feita com cerca de 40% do tempo médio dos outros terminais de Santos (Veja o vídeo neste link).

E há espaço para mais. Para ampliar o calado do canal de acesso aos seis berços do terminal, que chegará a 13,2 metros, foi necessário fazer uma dragagem especial e o material contaminado retirado do fundo da baía foi colocado numa área de 100 mil metros quadrados dentro do Tiplam, para que passe por processo de descontaminação. Quando isso terminar, a área onde hoje está o material poderá ser ocupada por mais armazéns.


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