Representantes de presidenciáveis defendem transparência no setor de energia

Jade Abreu, da Agência iNFRA

O risco hidrológico, a redução de custos de energia a empresas e maior segurança jurídica para o setor foram alguns dos temas abordados no debate com representantes dos candidatos à presidência da República em evento da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) na quarta-feira (5).

A associação apresentou as propostas para o setor de energia com o foco na redução de encargos e subsídios, na promoção da expansão do mercado livre e simplificação do cálculo das tarifas. Os participantes concordaram com diálogos e transparência no setor.

PT faz autocrítica
O representante do Partido dos Trabalhadores e ex-diretor da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, fez um mea culpa pelo governo passado. O intervencionismo da gestão PT foi criticado no evento. Ele elogiou o diálogo do setor instaurado pela equipe pós-impeachment. “Não dá para fazer nada unilateralmente.”, disse.

Tolmasquim afirmou que é complicado tirar subsídios de políticas sociais, mas ponderou que é um é um custo do contribuinte e não do consumidor.

O presidente da associação, Edvaldo Santana, elogiou a postura de Tolmasquim em reconhecer os erros passados. Para ele, o evento superou as expectativas a participação dos representantes. “Todos foram a favor do diálogo, de ouvir a população e os consumidores. Esperamos que não fique apenas no discurso”, acrescentou.

Autonomia de agências reguladoras
O representante do presidenciável Geraldo Alckmin, Aderbal de Arruda Penteado Junior, defendeu a autonomia de agência reguladoras em relação ao governo. Também apoiou um novo modelo como solução para o setor. “Não vamos conseguir resolver o problema hídrico que agora é gravíssimo se não houver uma reforma global. Já falamos isso há uns 15 anos.”

Ana Paula Oliveira, representante do candidato Álvaro Dias, alegou que pretende retomar os investimentos em infraestrutura. Ela criticou os altos impostos e a insegurança jurídica no país. “Antes de colocar foco maior no setor energético, vamos resolver problemas estruturais: reduzir impostos e simplificar a questão tributária”. O objetivo é, em quatro anos, ter R$ 1 trilhão em investimentos.

Estímulo a concorrências
Para o candidato à vice-presidência na chapa de João Amoêdo, Christian Lohbauer, falta racionalidade, transparência e concorrência no setor elétrico. Ele também criticou o intervencionismo na área de energia durante o governo de Dilma Rousseff. Lohbauer afirmou que deverá publicar em breve os detalhes do programa executivo.

O representante do presidenciável Jair Bolsonaro, Luciano de Castro, falou da importância em apostar no liberalismo econômico para reduzir os custos para que haja um preço de energia mais competitivo para os consumidores industrias.

Fontes sustentáveis
O último a participar foi o representante de Ciro Gomes, Nelson Marconi, que defendeu o fontes limpas e sustentáveis para a matriz energética. Segundo ele, apesar do crescimento da eólica e da solar, as fontes ainda são pouco utilizadas. Marconi acrescentou que as reservas hídricas são ativos muito importantes e defendeu a manutenção em empresas nacionais.

O evento abriu para diálogos e o ex-diretor da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e ex-secretário-executivo de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, apresentou a visão política do setor. Ele aconselhou que haja diálogo com a população e que o governo conte com a imprensa para divulgar as ideias do Executivo.


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