Renovação da MRS não vai prever investimento na construção do Ferroanel de São Paulo

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

A audiência pública para a renovação antecipada da malha sudeste de ferrovias para a MRS Logística vai propor que os investimentos de R$ 4,4 bilhões referentes ao pagamento de outorga pelo novo contrato de 30 anos não tenha ainda a determinação de onde os valores serão aplicados.

O processo está disponível desde quinta-feira (13) para consulta pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Nele, consta ainda a proposta de investimentos de R$ 3,1 bilhões em benfeitorias na malha, com a ampliação de pátios, remodelação de vias, entre outros.

Além disso, ao longo dos próximos 30 anos, a empresa prevê fazer investimentos estimados em R$ 14,6 bilhões no chamado sustaining, ou seja, máquinas e equipamentos para manter uma operação de qualidade. Com os investimentos, a intenção da empresa é passar dos atuais 56 milhões de toneladas úteis ano de carga geral para 107 milhões ao fim do contrato.

Dobrar a produção de carga geral, principalmente em contêineres, é o principal objetivo da empresa que direcionará seus investimentos para se transformar numa empresa com maior presença nessa área e menos no transporte de minério, para o qual não há previsão de redução nas quantidades transportadas ao longo do período, mas também não está previsto crescimento.

“Queremos transformar a MRS numa empresa de logística na região com as três principais regiões metropolitanas no Brasil”, disse Gustavo Bambini, diretor de Relações Institucionais da MRS, afirmando que a previsão é que a carga geral passe a representar 47% do percentual de carga da concessionária.

Ferroanel
Bambini explicou ainda o motivo pelo qual não vai constar para a concessionária a obrigatoriedade de construir o Ferroanel Norte, um trecho de 53 quilômetros que ligaria a malha da empresa ao Porto de Santos por um caminho mais rápido e moderno, que o governo anunciou que seria feito com os recursos da outorga dessa renovação.

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“Não tem projeto”, afirmou Bambini. “Não há como imaginar uma obra dessa envergadura sem um projeto de engenharia.”

Segundo ele, o Ferroanel ainda estaria em fase de projeto conceitual, o que impediria de fazer uma avaliação adequada de custos, especialmente os ambientais, já que ele passaria pela Serra da Cantareira, uma área preservada em São Paulo.

“O governo estima que a obra seria de R$ 4 bilhões. Nós avaliamos que seria de R$ 6 bilhões. Mas pode ser de R$ 8 bilhões, a depender do que for o projeto”, explicou Bambini. Segundo ele, no projeto conceitual há mais de 30 quilômetros de viadutos, seis quilômetros de túneis, entre outros desafios de engenharia.

Desafio da aprovação
Pelo cronograma anunciado pelo gerente da área de ferrovias da ANTT, Jean Mafra, em evento realizado na última quarta (12) em Brasília, a ideia do governo é assinar o novo contrato com a MRS no primeiro semestre de 2020. É um tempo acelerado, considerando que a primeira proposta de renovação, da Malha Paulista, está em análise há dois anos e meio desde o início da audiência pública.

Bambini afirma que o desafio será fazer o convencimento dos governos dos estados envolvidos de que haverá benefícios para todos com os investimentos previstos. Há  projetos de interesse dos estados que querem também investimentos em suas regiões. Ele explica, no entanto, que o sistema funciona como uma malha, e um investimento numa região pode significar maior possibilidade para outras.

“O aumento da velocidade de transportes em São Paulo significa mais cargas que podem ser exportadas pelo Rio de Janeiro. A compra de material será fortemente em Minas Gerais, onde estão concentradas as indústrias do setor que serão dinamizadas”, afirmou Bambini.

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Pelas estimativas, os investimentos da renovação significariam uma redução de R$ 29 bilhões nos custos logísticos do transporte das mercadorias e a geração de 75 mil empregos diretos e indiretos. Há ainda a expectativa de incremento de 25% no volume de exportações do país com a nova malha.


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