Para calar rumores, Bolsonaro visita Bento na sede do MME em sinal de apoio político

Leila Coimbra, da Agência iNFRA

O presidente da República, Jair Bolsonaro, quebrou o protocolo duas vezes nesta semana, na quarta-feira (4) e na quinta (5), ao visitar o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na sede da pasta. Normalmente, são os ministros que precisam se locomover e ir ao Palácio do Planalto para despachar com o presidente, de acordo com as regras hierárquicas.

A ida de Bolsonaro ao MME (Ministério de Minas e Energia) foi um claro sinal de apoio político a Bento, em meio aos rumores de que parlamentares querem que o almirante deixe o cargo.

Segundo a assessoria da pasta, o presidente e o ministro trataram, no primeiro encontro, “do andamento das ações prioritárias de governo sob a responsabilidade do MME, com ênfase no setor de mineração e em alguns outros assuntos ligados à área de energia”.

Na quinta, o presidente participou do encerramento do seminário sobre nióbio, à tarde, e, em seguida, foi ao workshop de modernização do setor elétrico, onde disse: “Montamos um ministério realmente técnico, onde os interesses da pátria estão em primeiro lugar”.

MDB em articulação
Desde a semana passada se intensificaram nos corredores do Congresso Nacional as conversas de que estaria na mesa de negociação a sucessão de Bento. Cogitou-se, inclusive, a entrega da pasta de Minas e Energia novamente ao MDB (que comandou o MME durante muitos anos nos governos petistas).

Braga e Bezerra candidatos
Para selar o acordo com o partido, seria indicado ao cargo o emedebista e ex-ministro de Minas e Energia senador Eduardo Braga (AM). Contra Braga, os inimigos logo trataram de lembrar: consta o fato de ter sido ministro da ex-presidente Dilma Rousseff.

Surgiu então um plano B: o atual líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho, pai do ex-ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho – que até então era o favorito ao cargo, mas é do DEM, e não do MDB. Bezerra pai, por sua vez, também já foi ministro, da Integração Nacional, também no governo de Dilma.

Leia também:  Análise: O fim do carnaval para o presidente Jair Bolsonaro

Governo de Pernambuco
O líder do governo, no entanto, teria hesitado diante da possibilidade de assumir o MME, disseram interlocutores. Bezerra Coelho almeja concorrer ao governo do estado de Pernambuco nas eleições de 2022, e a privatização da estatal Chesf poderia ter peso negativo junto ao eleitorado pernambucano.

A Chesf é a subsidiária da Eletrobras no Nordeste, com usinas no principal rio da região, o São Francisco.

Bolsonaro: MME não será de nenhum partido
A ida do presidente ao MME foi um recado aos partidos políticos de que Bolsonaro não entregará a pasta a nenhum partido político, disseram fontes do Palácio do Planalto.

“Isso seria uma desmoralização diante de tudo que o presidente sempre pregou, contra o toma lá, dá cá”, disse a fonte.

Davi Alcolumbre 
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), teria tentado emplacar indicações na Eletronorte, Furnas e Itaipu, sem sucesso até o momento. Por isso estaria insatisfeito com a gestão do almirante Bento.

Mas tudo indica que as relações entre Alcolumbre e o Executivo teriam melhorado, o que proporcionou vitórias do governo Bolsonaro no Senado nesta semana: foi aprovada na terça-feira (3) a PEC da Cessão Onerosa, e, na quarta (4), a CCJ aprovou a PEC da Reforma da Previdência.


Informações deste texto foram publicadas antes pelo Serviço de Notícias da Agência iNFRA. Esse produto diário é exclusivo para assinantes.

Para ficar bem informado, sabendo antes as principais notícias do mercado de infraestrutura, peça para experimentar os serviços exclusivos para assinantes da Agência iNFRA, enviando uma mensagem para nossa equipe.