Nordeste terá em fevereiro apenas 18% de chuvas da média histórica

Leila Coimbra, da Agência iNFRA

Na segunda-feira (28), a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) apresentou prognósticos de preços de energia e de chuvas para o mês de fevereiro. O cenário não é dos melhores: a expectativa é de que a hidrologia no Nordeste seja de apenas 18% da média histórica em fevereiro, sendo que em janeiro as precipitações foram de apenas 38% da média.

No Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas devem corresponder a 71% do volume médio histórico; enquanto no Sul e Norte, 80% e 83%, respectivamente. O acompanhamento das precipitações existe há 88 anos (é feito desde 1931).

PLD mais alto em fevereiro e março
O modelo computacional de preços de energia no Brasil é extremamente dependente do volume de chuvas, causando muita volatilidade nos valores em períodos muito curtos.

As previsões mais pessimistas em relação às chuvas provocaram nova revisão do preço médio para o PLD (Preço de Liquidação de Diferenças). Segundo a CCEE, depois de um valor médio de R$ 192,10 o MWh (megawatt-hora), no Sudeste e Sul em janeiro, a expectativa para o MWh é de R$ 337 em fevereiro e R$ 399 em março em pleno período úmido. No Nordeste, o preço médio subiu de R$ 84,76 para R$ 137,55 o MWh, de um mês para o outro.

GSF: rombo de R$ 22 bi
Segundo a apresentação feita pela CCEE, o GSF (sigla em inglês para o risco hidrológico) deverá custar R$ 22 bilhões em 2019, sendo R$ 15 bilhões pagos para as concessionárias de energia e R$ 7 bilhões no mercado livre de energia.

O valor é menor do que o estimado em 2018, de R$ 35 bilhões: sendo R$ 23 bilhões no mercado cativo e R$ 12 bilhões no mercado livre.

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Os cálculos da câmara para o impacto financeiro do GSF levaram em consideração um PLD médio para o sistema elétrico nacional de R$ 260 o MWh, e um índice GSF de 83% (as usinas devem produzir 83% do contratado).

Maior consumo
As afluências abaixo da média histórica no Nordeste foram apontadas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), no PMO (Programa Mensal da Operação) para fevereiro, divulgado na última sexta-feira (25).

Segundo o ONS, “a previsão mensal para fevereiro indica a ocorrência de afluências abaixo da média histórica para todos os subsistemas, com destaque para o subsistema Nordeste com previsões significativamente abaixo da média”.

No relatório, é prevista uma alta de 9% na demanda de energia em fevereiro para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, com temperaturas acima da média histórica. Para o Nordeste, a taxa de crescimento da demanda para fevereiro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, é de 4,5%.


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