Leilões de geração de energia precisam ocorrer no segundo semestre, diz Thymos

Leila Coimbra, da Agência iNFRA

O MME (Ministério de Minas e Energia) e a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) tiveram a atitude correta de adiar os leilões de energia previstos para ocorrer no mês de abril, devido à pandemia de Covid-19, segundo avaliação do presidente da consultoria Thymos Energia, João Carlos Mello.

Mas esses leilões precisam acontecer ainda neste ano, diz ele: “Pode ser adiado para agosto, setembro ou outubro. Porque nós vamos precisar dessa energia em 2024 ou 2025. Haverá uma recuperação gradual do mercado de energia após essa crise, então vamos precisar desses leilões. É uma atitude muito pouco prudente simplesmente não realizá-los neste ano”, disse Mello em entrevista à Agência iNFRA.

Para o executivo, no atual momento, é muito difícil mensurar os dados corretos para fazer a oferta no certame: “Esse atraso é muito mais porque os investidores não sabem bem como se posicionar diante das incertezas, as preparações para o ‘bid’ dos leilões. O atraso é muito mais no sentido de ter infraestrutura para um ‘bid’ com qualificação”, disse.

Consumo 5% maior já em 2021
Segundo Mello, a maior possibilidade é a de que a queda do consumo de energia irá se concentrar apenas em 2020 – principalmente no primeiro semestre do ano, com leve retomada a partir do segundo – e acelerando para um aumento de 5% na demanda de energia já em 2021.

16 cenários, com 4 principais
A Thymos elaborou 16 cenários para o Brasil, e consolidou as projeções em quatro principais: otimista, moderado, pessimista e catastrófico. No otimista, haveria uma queda de 1,6% no consumo de energia neste ano; no moderado -4,4%; no pessimista -8,4%; e no catastrófico chegaria a -14,3%.

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De acordo com o executivo, a Thymos trabalha com a maior probabilidade de que ocorra algo próximo do cenário moderado, podendo chegar ao cenário pessimista. Ou seja: entre uma redução de 4% a 8% no consumo em 2020.

Moderado
“O cenário moderado é o que consideramos mais provável, com o impacto mais imediato da crise, mas acreditando que a situação se normalizará ao longo do segundo semestre.”

Mello disse que é com esse panorama que as análises fundamentalistas de alguns bancos também trabalham, como o Itaú, de que a crise econômica irá se concentrar no primeiro semestre de 2020.

Pessimista
Porém, também não é desprezível o cenário pessimista, segundo o presidente da Thymos, pois houve uma redução expressiva da carga na segunda quinzena de março e espera-se o mesmo no período abril e maio.

“Ainda não dá para quantificar de quanto será essa queda. Esperamos que não ocorra o cenário pessimista, mas ele não pode ser desconsiderado.”

Já o cenário catastrófico é de baixa probabilidade, diz Mello, pois ele assume que o problema será de longa duração no patamar atual e que a sociedade aceitará tais níveis de restrição por um longo período. Segundo o especialista, isso é questionável, porque há indagações sobre os impactos da crise do ponto de vista econômico e seus reflexos sociais e também em número de vidas resultantes de um eventual caos social.

Para o executivo, a crise atual não pode ser comparada ao racionamento de energia de 2001 porque hoje o problema é falta de demanda, e não de oferta: “Lembrando que o racionamento teve origem na geração e agora é o contrário: a carga que não está se realizando”.

Distribuidoras
Com a queda repentina do consumo, haverá uma sobrecontratação de energia nas distribuidoras, mas Mello não vê essa questão como um grave problema. Para ele, o mecanismo existente será suficiente, o MCSD (mecanismo de compensação de sobras e déficits), onde as empresas podem negociar entre si.

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“Hoje, a maior parte da carga industrial das distribuidoras já migrou para o ambiente livre, e no ambiente livre existe mais espaço para a renegociação. Tem indústria que não vai sentir nada, outras bem mais”, disse Mello.

Exposição involuntária
“Talvez também seja razoável aumentar um pouco mais, de forma extemporânea, a exposição involuntária de contratação das distribuidoras, que hoje é de 5%”, afirmou.

Sobre a decisão da ANEEL de impedir o corte para os consumidores inadimplentes por 90 dias durante a crise, o executivo disse que haverá impacto para as distribuidoras, mas não muito.

“Ali foi um foco óbvio de pessoal mais baixa renda, não vai ampliar o impedimento de corte para outras áreas. E vai ter que pagar depois!”, disse o executivo.


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