Governo desiste de subsídio na conta de energia para as igrejas evangélicas

Leila Coimbra, da Agência iNFRA

O presidente Jair Bolsonaro foi demovido da ideia de conceder subsídio para as igrejas evangélicas, nas contas de energia, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que voltou ao trabalho na segunda-feira (13). No último fim de semana eles já haviam conversado por telefone e decidido que a medida não seria levada adiante, segundo uma fonte. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, foi avisado sobre a determinação.

O desconto aos templos religiosos, que custaria R$ 30 milhões anuais – de acordo com informação de Bento Albuquerque –, encareceria a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), impactando os demais consumidores de energia.

O valor não é significante diante das cifras que o setor elétrico envolve, de bilhões de reais. O custo global da CDE neste ano será de R$ 22 bilhões, por exemplo. Mas o problema é que pegou mal a enxurrada de benefícios nas tarifas de energia negociados com determinados segmentos na ausência do ministro Paulo Guedes.

O principal deles é o destinado aos donos de painéis solares para a chamada geração distribuída, onde o consumidor produz o que consome sem pagar pelo uso da rede elétrica. Bolsonaro decidiu que seria mantido o desconto a esse tipo de produção de energia, custo que é bancado por outros consumidores cativos.

O Ministério da Economia também é contra esse subsídio, mas como o tema será debatido no Congresso Nacional via projeto de lei, a equipe econômica não bateu o martelo a respeito. Já a concessão de estímulo fiscal para as igrejas evangélicas está fora de questão, diz a fonte.

Bancada da bíblia
O presidente da República quer agradar politicamente a chamada “bancada da bíblia”, composta por parlamentares evangélicos, que hoje são praticamente a única sustentação do governo no Legislativo.

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Bolsonaro quer ainda contar com os evangélicos para conseguir o número de assinaturas necessárias para a criação do seu novo partido, o Aliança Pelo Brasil. Tudo indica que, com o veto de Guedes, terá que arrumar outro instrumento de negociação.


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