Despachos térmicos deverão ser menores em 2020, diz diretor-geral do ONS

Tales Silveira, da Agência iNFRA

O número de despachos térmicos no Brasil em 2020 deverá diminuir em relação ao ano passado, ao menos no período úmido, que vai até abril. Foi isso o que disse o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Barata, em entrevista à Agência iNFRA.

“Já podemos até falar em melhora uma vez que, no começo do ano passado, batemos cinco vezes o recorde de consumo de energia. Em 2020 estamos longe desse recorde de consumo de 2019. E ainda a expectativa é que, pelo menos ao longo do período chuvoso, diminua a quantidade de despachos térmicos para o país”, explicou.

Apesar da diminuição no uso das termelétricas, Barata afirmou que os despachos das usinas deverão continuar no país.

“Normalmente, mesmo no período chuvoso, temos um despacho térmico dependente do custo marginal de operação e, neste momento, estamos despachando térmica de acordo com esse modelo. Se tivermos boa precipitação, dependendo da quantidade de volume de chuvas, acredito que logo já iremos reduzir bastante a quantidade de despachos térmicos”, disse.

2020 mais chuvoso
Segundo Barata, a probabilidade é que este ano não seja tão seco como foi 2019. “A expectativa é que continuemos operando o sistema sem sobressaltos. Com continuidade e com custo de operação menor. Acreditamos que teremos um despacho térmico menor. Não há razão para não esperar um ano bom. Temos a convicção que teremos um abastecimento de energia coeso para o Brasil.”

“Hoje, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) não sinalizou nenhum problema para a estação de chuvas. Com essa análise semanal trazida pelo instituto, nós desenhamos a nossa estratégia, que não aponta para repetição de estiagem [como a que ocorreu no verão passado]. Quanto à questão de que as chuvas serão generosas ou não, o INPE não prevê. Porém não temos um cenário de falta de chuvas e, por isso, estamos tranquilos”, disse Barata.

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Usinas do Norte
De acordo com o comandante do ONS, até abril deste ano, as usinas hidrelétricas do Norte amenizarão o uso de energia elétrica das usinas do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Durante o período úmido, as usinas de Belo Monte e do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, no Norte do país, deverão concentrar o abastecimento dos principais centros de consumo.

“Os níveis de reservatórios deverão estar melhor neste ano no período úmido e seco. Isso porque nós passamos a poder explorar o Complexo do Madeira, que, ao todo, totaliza 6,5 mil MW, e Belo Monte, que, com a transmissão completa, gera 11 mil MW. Esse já é um cenário bom para o país. A expectativa é poder maximizar o volume de energia para usar menos as usinas do Sudeste e Centro-Oeste”, explicou.

Balanço 2019
Barata afirmou que mesmo com o baixo volume de chuvas ao longo de todo o ano passado, o balanço de 2019 foi positivo para o ONS.

“Tivemos baixas precipitações em 2019 e, por falta de chuvas, mesmo com a nossa componente hidro sendo muito alta, não pudemos usar a plenitude da nossa capacidade instalada. Mas, mesmo com as condições meteorológicas não generosas ao longo de 2019, em especial de maio a novembro, os abastecimentos foram assegurados ao longo do ano.”

Preço horário
O diretor do ONS também falou sobre implantação do preço horário. Neste ano está em implementação o Dessem (modelo de despacho hidrotérmico de curtíssimo prazo) na programação de operação.

“Agora nós já passaremos a saber esse custo com mais precisão, o que ajuda a modelar e resolver o problema de otimização da operação diária de sistemas hidrotérmicos da forma mais apurada possível”, disse.

De acordo com Barata, a mudança na metodologia trazida ao longo de todo o ano será muito importante, uma vez que, em 2021, a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) vai adotar o Dessem para o cálculo do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), na contabilização e na liquidação do Mercado de Curto Prazo.

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“A partir do ano que vem o preço deixará de ser semanal e passará a ser de hora em hora. Por já termos um ano de contato com essa operação, teremos mais familiaridade e conhecimento para trabalharmos com o preço horário. Isso vai permitir que os agentes que atuam estabeleçam estratégias para esse novo modelo horário a ser implantado no ano que vem”, afirmou.


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