Desaceleração leva a queda de 29% nas vendas de cimento em 2017, aponta pesquisa do IBGE


Andrea Shad, para a Agência iNFRA
Do Rio de Janeiro

A Pesquisa Industrial Anual (PIA) Produto 2017 do IBGE confirma a situação de desaceleração da indústria da construção civil. Produtos ligados à construção estão entre os cinco que mais perderam posições no ranking de vendas na comparação com 2016.

Cimentos portland compostos caíram da 36ª posição para 65ª, e massa de concreto preparada para construção, da 65ª para 84ª. O total das vendas de cimento despencou 29% no período, de R$ 8,22 bilhões para R$ 5,83 bilhões. Já no caso da massa de concreto, a queda foi de 17,7%, de R$ 5,77 bilhões para R$ 4,75 bilhões.

O economista Fernando Abritta, da Coordenação de Comércio e Serviços do IBGE, analisa que “a construção civil é muito sensível ao crédito e às obras de infraestrutura, patrocinadas, geralmente, pelo governo ou em caso de obras ligadas a concessões, como rodovias por exemplo. E com a crise econômica, esses investimentos do governo têm sido decrescentes”.

O cimento e a massa de concreto fazem parte do setor de minerais não-metálicos, que no ranking de atividades da pesquisa PIA, teve queda de 0,3 ponto percentual, passando do 12º para o 15º lugar em valor de vendas entre 2016 e 2017. O valor anual do setor caiu de R$ 62 bilhões para R$ 59 bilhões. Nesse grupo estão também vidros, tijolo, ladrilho, cerâmicas, entre outros.

“A queda nas vendas desses produtos é um reflexo da desaceleração da indústria da construção civil no PIB, o que já ocorre há anos. Em 2014 caiu 2,1%, em 2015, 9%, em 2016, 10%, e em 2017, 7,5%”, constata Abritta.

Quedas em sequência
O setor da construção civil amarga esses resultados negativos e vem cobrando que o governo tome medidas para retomar as concessões e as obras públicas. Há bilhões de reais em verbas licitadas sem recurso orçamentário, e por isso não saem do papel. As medidas que o governo vem tomando não devem ser suficientes para a retomada do setor.

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“O financiamento habitacional está sofrendo por juros altos, ainda maiores que em 2017, ano analisado na PIA. Mas outro fator preocupante é a falta de perspectiva do tomador de empréstimo de ter a certeza que poderá pagá-lo por 25 anos, devido à crise econômica”, opina Abritta.

A incerteza também é grande entre os empresários. A confiança da Construção Civil no governo, medida pela FGV, caiu em maio voltando ao menor nível desde setembro de 2018. Já o Termômetro da Abramat detectou, também em maio, pessimismo em relação ao governo por parte de 38% das empresas fabricantes de material de construção.

A Pesquisa Industrial Anual (PIA) do IBGE investiga a produção e a venda de produtos e serviços pela indústria brasileira. Em 2017, foram pesquisados cerca de 3.400 produtos fabricados pelas 32,9 mil empresas com 30 ou mais pessoas ocupadas e suas 39,5 mil unidades locais industriais. O valor de vendas nas unidades locais industriais desses produtos totalizou R$ 2,3 trilhões em 2017.


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