Com propostas pouco específicas, candidatos falam em reformas para reativar investimentos

 

Dimmi Amora e Luana Dorigon, da Agência iNFRA

As propostas dos principais candidatos à presidência da República para o setor de infraestrutura, apresentadas durante o Abdib Fórum – Agenda da Infraestrutura com Presidenciáveis, indicam que o Congresso Nacional terá papel preponderante na retomada dos investimentos no país.

Há o diagnóstico comum de que a retomada do setor é essencial para a volta do crescimento econômico e a redução da taxa de desemprego. Mas os candidatos divergem na forma sobre como fazer o país ter um ciclo sustentável de investimentos públicos e privados para eliminar os gargalos de infraestrutura.

A maior parte das propostas passa por uma revisão tributária e orçamentária no governo federal para garantir equilíbrio nas contas públicas e, por isso, o apoio do parlamento será essencial. Todos os candidatos também admitiram ter consciência de que terão base aliada frágil e haverá a necessidade de enfrentar corporações organizadas. Como não seria diferente, apresentaram a confiança de que podem vencê-las.

O evento contou com cobertura on line da Agência iNFRA em hotsite especial do evento, disponível neste link.

Marina Silva
A candidata Marina Silva (Rede), que abriu o encontro, focou sua fala na política, se apresentando como a candidata capaz de levar o país a um novo ciclo de desenvolvimento. Ela reiterou o que já virou o seu bordão: “Os que criaram o problema não serão capazes de resolver o problema”.Sobre infraestrutura, a candidata informou que suas prioridades serão o saneamento básico e o desenvolvimento de energia limpa, citando uma nova diretriz para a Petrobras nesse setor.

Manuela D’Ávila
Manuela D’Ávila, representante da coligação PT/PC do B/PROS, focou sua fala na proposta da chapa de reforma do estado para garantir a volta dos investimentos.

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A deputada estadual, no entanto, tratou os temas do setor, inclusive uma possível reforma da administração para dar maior segurança aos servidores, de maneira mais teórica do que os outros candidatos. A proposta apresentada foi a do programa do governo da coligação: utilizar parte das reservas internacionais para alavancar o setor de infraestrutura.

Guilherme Boulos 
O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, apresentou-se com segurança sobre os temas do setor, com diretrizes claras sobre infraestrutura. Entre elas, Boulos informou sua prioridade para os setores de moradia e saneamento.

A equação econômica do candidato, no entanto, pode ser considerada a mais complexa. Reticente em relação a parcerias com o setor público, indicando contudo que pretende usar o setor empresarial como contratado, sua proposta passa por um reequilíbrio do gasto público através de uma mudança focada nas receitas, inclusive com aumento da carga tributária.

Geraldo Alckmin 
Após o almoço, Geraldo Alckmin (PSDB) apresentou suas propostas, e também focou numa mudança orçamentária e fiscal, mas pelo lado da despesa. Alckmin, assim como todos os outros candidatos, falou de forma genérica sobre essas reduções de gastos públicos, sem mostrar quais as áreas serão cortadas.

Apesar de ter sido aprovado com o voto a favor da maioria do partido dele, o PSDB, o candidato se disse contrário ao teto de gastos, aprovado pela Emenda Constitucional 95, afirmando que ele está afetando na prática apenas o gasto público em infraestrutura por não estar servindo para bloquear o aumento do gasto obrigatório, especialmente com salários dos servidores.

Henrique Meirelles 
Até mesmo o candidato do governo, Henrique Meirelles (MDB), admitiu que o teto de gastos não tem sido eficiente, lembrando que ele precisava ser feito junto com a reforma da Previdência, o que não aconteceu.

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Meirelles fez questão de tentar mostrar que ainda é um candidato viável, mesmo com baixos índices de intenção de votos das mais recentes pesquisas, apresentando-se como uma espécie de guardião da estabilidade, fator para ele essencial para a volta dos investimentos.

Ciro Gomes 
O evento foi encerrado com a sabatina de Ciro Gomes (PDT) que abriu uma metralhadora de frades, passando por temas que foram da violência urbana à balança de pagamentos.

O candidato também apresentou proposta de usar as reservas internacionais para o desenvolvimento da infraestrutura, dando a entender que seria para lastrear empréstimos. E tentou, a todo tempo, se apresentar como um político favorável às parcerias com a iniciativa privada e capaz de dialogar com todos os setores da sociedade.

Ausência de Bolsonaro
A ausência do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas quando o ex-presidente Lula não é listado, ocorreu por negativa do candidato em participar do evento. Mas ele foi lembrado nas falas, diretas ou indiretas, de seus adversários. A mais lúcida, a de Ciro Gomes, apontou-o como um fenômeno da repulsa da sociedade ao atual sistema político e social do país.

Ao final, todos os candidatos receberam o documento preparado pela Abdib com propostas para o desenvolvimento da infraestrutura no país. Com o recado: é hora de executar. (Colaborou: Leila Coimbra)


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