Candidatos falam em estabilidade para país voltar a ter investimento em infraestrutura

Cláudia Borges, da Agência iNFRA

Pré-candidatos à Presidência da República que participaram do Fórum de Mobilidade promovido pela ANTPtrilhos (Associação Nacional de Transportes de Passageiros), na quarta-feira (18), em Brasília, foram unânimes em pelo um aspecto.

Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade), que encaminhou uma mensagem em vídeo, destacaram a necessidade da elaboração de um planejamento estratégico de longo prazo para ampliar o transporte sobre trilhos no país.

Geraldo Alckmin, do PSDB
Alckmin afirmou que, embora seja mais seguro e cause menos congestionamentos do que o modal rodoviário, o transporte sobre trilhos enfrenta um grande desafio: de onde tirar recursos para expandir o sistema.

O pré-candidato lembrou que há seis anos o país apresenta déficit nas contas públicas e que para ter investimento é preciso ter confiança que o sistema macroeconômico do país é o correto.

Para Alckmin, o principal papel do estado é de resgatar o planejamento do país, implantar os marcos regulatórios e garantir segurança jurídica. Enfatizou ainda que as agência

s reguladoras devem estar distantes de partidos políticos. “Sem segurança jurídica não tem investimento, ninguém vai investir por 30 anos sem agências preparadas”, afirmou.

Se eleito, afirmou que pretende aproximar o trabalho da moradia, com planejamento urbano e metropolitano. “O nosso desafio são empregos, então infraestrutura é grande fonte de geração de emprego e renda. Pretendo fazer um canteiro de obras”, revelou.

 

Meirelles, do MDB
Meirelles (MDB) apresentou a proposta de criar um centro de discussões de planejamento urbano e de transportes, para auxiliar a viabilizar investimentos privados no setor, considerados fundamentais pelo ex-ministro da Fazenda. Meirelles também citou a criação de uma espécie de mesa de diálogo entre representantes dos setores públicos e privados, a fim de aumentar a velocidade da tomada de decisão do setor público.

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“Queremos garantir que o país possa virar  um canteiro de obras”, disse o pré-candidato do MDB.

Meirelles foi enfático na defesa de que os investimentos em infraestrutura são essenciais para a retomada do crescimento do país e a volta do emprego. Para isso, no entanto, ele afirmou que será necessário criar estabilidade nas regras e independência das agências reguladoras, citando especificamente o PL (projeto de lei) das Agências Reguladoras como forma de garantir maior autonomia.

Rui Costa, do PT
Como convidado para apresentar os projetos de mobilidade urbana do estado, o governador da Bahia, Rui Costa, falou sobre a situação do PT em entrevista após sua participação no evento. Ele reiterou que o partido tem como opção no momento a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo com a possibilidade dele não poder ser candidato, já que está preso e pode ser barrado pela lei da Ficha Limpa. Segundo Costa, o partido, de fato, corre risco em manter a decisão de não ter outro candidato.

O governador da Bahia afirmou que é da corrente do partido que defende que o PT pode fazer aliança com qualquer candidato que defenda propostas para a retomada do país, mas não há, no momento, consenso sobre o tema no partido. Para ele, é preciso que o país encontre uma forma de conciliação que possa retomar os investimentos, principalmente externos.

“O Brasil já é considerado carta fora do baralho lá fora”, disse Costa.

Ele contou que recebeu representante da concessionária Via Bahia, recentemente, que informou a ele que, nas participações que tem em conselho de grandes empresas internacionais, os temas que envolvem investimentos no Brasil estão sendo retirados da pauta pela falta completa de definição política no país.

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Marina Silva, da Rede
Em vídeo, Marina Silva afirmou que a melhoria da qualidade das ferrovias do país passa por projetos de longo prazo que precisam estar inseridos dentro de um planejamento estratégico. Disse ainda que o transporte sobre trilhos deve ser um esforço para melhorar a qualidade dos transportes das cidades.

“Nós temos hoje um grande vazio nos diferentes modais de transportes do nosso país que precisa ser suprido com o transporte ferroviário, inclusive para atender a uma grande demanda do agronegócio brasileiro”, enfatizou. “E também para que o país não fique refém de uma única forma de transportar a população nas cidades”, completou.


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