Brasil faz América Latina ter custo de combustível de aviação mais alto no mundo


Dimmi Amora, da Agência iNFRA

O monopólio da Petrobras no setor de combustível colabora para que a região da América Latina tenha o mais alto custo para abastecimento das aeronaves em relação às outras regiões do mundo.

É o que aponta o diretor da ALTA (Associação Latinoamericana de Transporte Aéreo), Luis Felipe de Oliveira. O custo elevado de combustível na região foi tema de discussão nesta semana do comitê do órgão para o tema, em reunião realizada no Panamá.

Segundo dados da associação, o combustível representa entre 25% e 30% dos custos das companhias aéreas. Mas no Brasil esse custo chegou a ser superior a 40% em alguns momentos.

De acordo com Oliveira, após a decisão do governo de São Paulo, que foi acompanhada por outros governos, de reduzir o ICMS sobre o combustível de aviação, foi notada uma redução no custo final, mas ainda insuficiente para chegar a um ponto de maior equilíbrio.

“O problema da paridade ainda não teve solução. A Petrobras continua sendo a mais cara, o que cria uma diferença grande em relação a outros mercados”, afirmou Oliveira em entrevista à Agência iNFRA, referindo-se ao mecanismo usado pela Petrobras para determinar o preço do combustível.

Oliveira acompanha o tema de combustíveis no Brasil desde que trabalhava na IATA, associação internacional do transporte aéreo. Em estudo coordenado por ele, publicado em 2012, a associação mostrou que o Brasil tinha o 3º combustível mais caro do mundo.

Apesar de não ter monopólio oficial, na prática a Petrobras é monopolista no setor por ter, além de todas as refinarias, outros elementos da cadeia que garantem que ela possa formar o preço. De acordo com a Abear (Associação Brasileira das Empresas de Aviação), apesar de produzir quase todo o combustível de aviação no país, a precificação da empresa inclui custos de importação de toda a produção, por exemplo.

Leia também:  Dnit deixará de fazer 7% das obras previstas para 2018 por aumento do asfalto

Oliveira explicou que a concorrência no Brasil é difícil porque o consumo no país não justificaria a criação de uma refinaria e os custos para importação do produto são elevados. Com isso, na prática, segundo ele, a estatal acaba usando como margem de lucro o custo que outras empresas teriam para trazer o combustível ao país, o que distorceria o mercado.

Nos últimos anos, diferentes integrantes da área de aviação do governo tentaram convencer a empresa a utilizar parâmetros diferentes para fazer a precificação do combustível de aviação, sem sucesso.

Para Álvaro Godoy, Gerente de Combustível e Taxas Aeroportuárias da ALTA, a precificação adequada do projeto permite operações mais eficientes e previsíveis, beneficiando passageiros com melhores tarifas e mais desenvolvimento de diferentes mercados, como turismo, por exemplo, ampliando o desenvolvimento dessas nações.


Informações deste texto foram publicadas antes pelo Serviço de Notícias da Agência iNFRA. Esse produto diário é exclusivo para assinantes.

Para ficar bem informado, sabendo antes as principais notícias do mercado de infraestrutura, peça para experimentar os serviços exclusivos para assinantes da Agência iNFRA, enviando uma mensagem para nossa equipe.